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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Produtos falsificados causam perda de R$ 514 bilhões no Brasil

O Anuário da Falsificação atribui a perda de 2025 a mercadorias ilegais, vendidas também pela internet; 36% são negociadas em plataformas de comércio eletrônico.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Bancas de roupas, bolsas e eletrônicos em uma rua comercial movimentada de São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Bancas de roupas, bolsas e eletrônicos em uma rua comercial movimentada de São Paulo.
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Produtos falsificados, pirateados e contrabandeados provocaram uma perda estimada de R$ 514 bilhões à economia formal brasileira em 2025, somando o faturamento não obtido pela indústria e tributos não arrecadados. O levantamento aponta que 36% dessas mercadorias são negociadas em plataformas de comércio eletrônico e alerta para riscos à saúde em categorias como medicamentos e bebidas.

Produtos falsificados, pirateados e contrabandeados causaram uma perda de R$ 514 bilhões à economia formal brasileira em 2025, segundo o Anuário da Falsificação, elaborado pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF). O valor reúne o faturamento que a indústria deixou de obter e os tributos que o governo não arrecadou e é mais de cinco vezes superior ao registrado em 2010, quando chegou a R$ 100 bilhões.

O levantamento usa informações de diferentes setores empresariais e da Receita Federal. A estimativa inclui mercadorias ilegais vendidas em lojas físicas e pela internet. De acordo com Rodolpho Ramazzini, diretor da ABCF, 36% desses produtos são comercializados em plataformas de comércio eletrônico; antes da pandemia, a proporção era de 10%.

Na região da rua 25 de Março, no centro de São Paulo, ambulantes vendem roupas, bolsas, brinquedos, eletrônicos e outros itens, alguns com marcas conhecidas. Um shorts da grife esportiva Alo, por exemplo, custa R$ 610 em uma loja e pode ser encontrado por R$ 60 na região. A ausência de nota fiscal é comum entre vendedores ambulantes e também ocorre em parte das lojas do local.

O preço reduzido atrai consumidores, mas pode ocultar diferenças importantes entre as mercadorias. Produtos pirateados imitam os originais; os falsificados tentam enganar o comprador; e os contrabandeados entram no país sem cumprir os procedimentos legais de importação. A falta de pagamento de tributos também reduz recursos que financiam serviços públicos, como saúde, educação e segurança.

Suzane Strehlau, professora do mestrado e doutorado profissional em Comportamento do Consumidor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que o consumidor pode interpretar a compra barata como uma vantagem. Ela diz que a percepção de que os impostos são mal utilizados pelo poder público também influencia a tolerância à compra de produtos ilegais. Para Strehlau, essa escolha pode diminuir a cobrança dos cidadãos sobre a destinação dos recursos públicos.

Ramazzini afirma que a fiscalização enfrenta limitações de pessoal e estrutura. A Receita Federal tem 3.200 agentes para atuar em todo o país, enquanto o Brasil conta com 28 postos de fiscalização ao longo de 16 mil quilômetros de fronteiras. Segundo o diretor da ABCF, as apreensões alcançam apenas 6% do volume de mercadorias ilegais que entra no território nacional.

O executivo também associa a falsificação e o contrabando à atuação do crime organizado. Segundo ele, grupos criminosos ampliaram a presença em setores com fiscalização limitada e alta tributação, como cigarros, bebidas e combustíveis. A falsificação de bebidas já esteve ligada a casos de intoxicação por metanol: Ramazzini cita 40 pessoas contaminadas e sete mortes no ano passado.

Medicamentos e produtos para emagrecimento estão entre os alvos mais recentes apontados por Ramazzini. Ele afirma que há canetas sem registro que saem do Paraguai e entram no Brasil, produtos falsificados com marcas originais e importação ilegal de tirzepatida destinada a farmácias de manipulação. A existência dessas práticas não significa que todo produto vendido em marketplaces seja falsificado: a informação da ABCF se refere à parcela de mercadorias ilegais no mercado brasileiro negociada nessas plataformas.

Medicamentos de alto custo, como os usados em tratamentos oncológicos, também são alvo de roubos. Paulo Maia, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados, Excepcionais e Hospitalares (Abradimex), explica que canetas emagrecedoras e outros produtos termolábeis precisam permanecer em temperatura controlada para preservar a eficácia. Se essa condição não é mantida, os efeitos adversos podem ser graves e imprevisíveis.

Juliana Pereira, presidente do Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo, defende a compra de produtos regularizados, que devem seguir normas e padrões de qualidade. Além do risco à saúde em categorias como medicamentos e bebidas, a comercialização ilegal afeta a arrecadação e a indústria formal, segundo o anuário.

Fontes: Valor Econômico

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