Planos de saúde empresariais podem subir até 11% em 2027
A estimativa da Marsh vale para contratos coletivos e não é um índice da ANS; o reajuste efetivo varia conforme cada contrato e negociação.
Resumo em 30 segundos
Os planos de saúde empresariais podem ter reajuste médio de 9% a 11% em 2027, estima a Marsh. O percentual não é definido pela ANS e varia conforme o contrato. Consultorias também projetam alta nos custos médicos, pressionados por medicamentos, tratamentos complexos e maior uso dos serviços.
Os planos de saúde empresariais devem ter reajuste médio entre 9% e 11% em 2027, segundo estimativa da consultoria Marsh. A projeção, semelhante ao patamar observado neste ano, diz respeito aos contratos coletivos oferecidos por empresas a funcionários e não corresponde a um índice definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para todos os planos.
O percentual efetivo varia conforme as condições de cada contrato e as negociações entre empregadores e operadoras. O cálculo considera, entre outros fatores, a inflação médica e a utilização dos serviços pelos beneficiários. Por isso, o reajuste de um plano empresarial pode diferir do aplicado a outro, inclusive quando ambos são da mesma operadora.
A expectativa de aumento deve tornar as conversas entre empresas e operadoras mais difíceis. Marcelo Borges, diretor-executivo da Marsh Health and Benefits Brasil, afirmou que o fim da escala 6x1 também deve entrar nas negociações de recursos humanos, por seu possível impacto nos custos das empresas. Ele disse que não espera a retirada generalizada do benefício, mas considera possível que contratos passem a ter mais coparticipação, modalidade em que o usuário paga uma parcela de determinados atendimentos.
O plano de saúde é a segunda maior despesa das empresas, atrás apenas dos salários, segundo Borges. No Brasil, há 53 milhões de usuários de planos; cerca de 31 milhões recebem o benefício por meio do empregador. Outros 7,7 milhões estão em contratos ligados a pequenas e médias empresas, geralmente adquiridos por pessoas físicas e sujeitos a reajustes diferenciados.
As projeções de inflação médica ajudam a explicar a pressão sobre os preços. A Aon estima que o custo médico no Brasil suba 11,1%, enquanto a Marsh calcula 9,6%. A diferença ocorre, em parte, porque a estimativa da Marsh não incorpora o efeito do dólar sobre insumos médicos. Incluído esse fator, a inflação médica brasileira também deve ficar em dois dígitos e entre 2,5 e três vezes acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo as estimativas citadas.
A projeção da Aon representa alta de 1,4 ponto percentual em relação ao período anterior. No cenário global, a consultoria prevê crescimento médio de 9% nos custos médicos em 2027, desaceleração de 0,8 ponto percentual. A América Latina e o Caribe devem registrar leve avanço, puxado pelo Brasil; Europa, Ásia-Pacífico e Oriente Médio e África têm expectativa de queda frente aos indicadores de 2026.
Medicamentos de alto custo, ações judiciais e tratamentos ligados ao transtorno do espectro autista (TEA) continuam pressionando a inflação médica, afirmou Thomas Ishizuka, superintendente atuarial da Marsh Brasil. Fabio Martinez, líder de capital humano da Aon no país, apontou também mudanças no perfil de saúde da população, na frequência de uso dos serviços, na complexidade dos tratamentos e nas tecnologias cobertas pelos planos.
Entre as despesas médicas mais elevadas estão as relacionadas a doenças cardiovasculares, câncer e doenças autoimunes, sobretudo quando exigem internações, terapias prolongadas ou atendimento especializado. O levantamento da Aon também identificou aumento nas contas de medicamentos associados às chamadas canetas emagrecedoras, mas ainda não há dados que permitam medir o efeito desses tratamentos na sinistralidade dos planos — a relação entre despesas com atendimentos e receitas dos contratos.
No Brasil, as despesas médicas com cirurgias bariátricas caíram, em média, 56%, segundo o estudo. A pesquisa não estabelece se a redução decorre integralmente da maior procura por medicamentos para perda de peso. A possível inclusão dessas canetas no Sistema Único de Saúde (SUS) está em análise pelo Ministério da Saúde. A estimativa do governo é de gasto anual de R$ 1,5 bilhão para oferecer medicamentos contra a obesidade na rede pública.
A Aon estima que medicamentos à base de GLP-1 e similares representem, em média, mais de 3% dos custos médicos no mundo, com participação que varia de 1% a 10%. Martinez afirmou que empresas interessadas em subsidiar esses remédios precisam considerar a ampliação das indicações clínicas e as diferenças de dose, resposta individual e duração do tratamento, fatores que dificultam prever o custo futuro.