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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Philippe Jaenada revela uso do ChatGPT em romance do Goncourt

O escritor afirmou à France Inter que recorreu à ferramenta três vezes durante a criação de *L’Inconnue du quai de Javel*, sobre um assassinato sem solução em Paris.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Manuscrito aberto ao lado de um laptop em uma mesa de trabalho literária. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Manuscrito aberto ao lado de um laptop em uma mesa de trabalho literária.
Resumo em 30 segundos

Vencedor do Prêmio Goncourt de 2026, Philippe Jaenada contou que usou o ChatGPT em três momentos na escrita de *L’Inconnue du quai de Javel*. O romance, de cerca de 530 páginas, retoma o assassinato não solucionado de Louise Cansot, encontrada morta em Paris em 1949.

O escritor francês Philippe Jaenada, de 62 anos, vencedor do Prêmio Goncourt de 2026, contou que usou o ChatGPT em três momentos durante a escrita de *L’Inconnue du quai de Javel*. A declaração foi feita na quarta-feira, 4, à rádio France Inter, um dia depois de Jaenada receber a principal distinção literária da França. O romance, com cerca de 530 páginas, retoma um assassinato não solucionado ocorrido em Paris, em 1949.

Jaenada afirmou que inseriu no livro uma frase criada pelo ChatGPT como uma brincadeira com os leitores. Segundo ele, os jurados foram informados sobre o trecho durante a cerimônia de premiação. “Se isso vazar, vou saber de onde veio”, disse o escritor, em tom de brincadeira.

Em outra ocasião, o autor incluiu uma resposta produzida pela ferramenta para ironizar o que descreveu como respostas absurdas recebidas ao consultar o sistema sobre uma questão técnica. A terceira utilização ocorreu durante as pesquisas para desenvolver o romance. Jaenada defendeu que escritores aprendam a lidar com a inteligência artificial, em vez de ignorar a tecnologia. “Não acho que seja possível impedir o avanço da inteligência artificial. Não podemos fingir que ela não existe. É preciso usá-la, reconhecer sua existência e, acima de tudo, aprender a domá-la. Ela precisa ser útil”, afirmou.

A revelação ocorre em meio ao debate sobre o uso de inteligência artificial na literatura e poucas semanas depois de a Academia Goncourt retirar da disputa o romance *C’était ça ou mourir*, do escritor canadense-haitiano Thélyson Orélien. A decisão foi tomada após suspeitas de que boa parte do livro tivesse sido produzida com ferramentas de IA. A entidade afirmou que queria preservar a integridade de um prêmio dedicado à literatura escrita por seres humanos.

Orélien negou ter usado a tecnologia para escrever a obra e classificou as acusações como calúnia em outubro. Na mesma ocasião, reconheceu ter cometido plágio em trabalhos anteriores. A editora canadense Boréal encerrou a parceria com o escritor e informou que não faria novas tiragens do livro, após identificar outras evidências de uso de IA durante o processo de escrita.

O romance de Jaenada parte do caso de Louise Cansot, modelo de artistas de 29 anos encontrada morta em Paris. Conhecida em Montparnasse como “a mulher dos cem retratos”, ela posava para pintores e escultores; a investigação policial da época não identificou o responsável pelo assassinato. Na obra, o escritor reconstrói a trajetória de Cansot e examina como as autoridades e a imprensa daquele período apresentaram o caso.

Jaenada venceu o Goncourt na primeira rodada de votação, com seis votos, contra três de Sylvain Prudhomme. Antes da vitória, havia chegado à lista de finalistas outras quatro vezes. O prêmio concede ao vencedor uma quantia simbólica de 10 euros, mas costuma impulsionar as vendas do livro escolhido.

Para entender

Prêmio Goncourt
É um dos mais conhecidos prêmios literários da França. Concedido anualmente a uma obra de ficção em língua francesa, tem valor financeiro simbólico, mas costuma aumentar a visibilidade e as vendas do livro vencedor.

Fontes: Estadão

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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