PF investiga Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem ligada a bets
O inquérito apura se o senador tinha participação não declarada na empresa ligada à casa de apostas BestBet e na holding de Willer Tomaz.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal investiga se Flávio Bolsonaro teve participação econômica ou societária não declarada em empresas ligadas a Willer Tomaz e à casa de apostas BestBet. A apuração considera, entre outros elementos, o acesso do senador a uma conta bancária da holding Alcazar. Flávio nega as suspeitas, que classifica como infundadas e motivadas por razões eleitorais.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas e o advogado Willer Tomaz. O inquérito foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes; nesta segunda-feira (26), o senador foi proibido de deixar o país e de manter contato com o advogado.
A PF também intimou Flávio a entregar os passaportes comum e diplomático. Depois da decisão, aliados levantaram a suspeita de que ele teria viajado para os Estados Unidos, mas a informação aparece como uma alegação atribuída a eles. A ordem judicial, segundo os dados do caso, impede a saída do Brasil.
A investigação busca esclarecer se o senador tinha participação econômica ou societária não declarada na Alcazar Holding, empresa de Willer registrada na Ilha da Madeira, e na casa de apostas BestBet. A empresa portuguesa Cathedral Holding, controlada majoritariamente por Willer e familiares, é a única acionista da Rede Loto, proprietária da BestBet.
Um dos principais vínculos financeiros apontados pela PF é o acesso de Flávio como “usuário master” à conta bancária da Alcazar. Esse tipo de acesso permite amplo controle das operações da conta. Documentos examinados pelos investigadores indicam que a exclusão do senador foi solicitada em maio de 2025.
A análise do celular apreendido de Willer e de arquivos armazenados em nuvem revelou movimentações financeiras consideradas suspeitas, relacionadas a plataformas de apostas, holdings no exterior e empresas ligadas ao advogado. Os investigadores também encontraram fotos, documentos pessoais de Flávio e referências a encontros, festas e reuniões entre os dois. Eles se comunicavam pelo Confide, aplicativo que permite que mensagens desapareçam depois de visualizadas.
A PF identificou ainda que as famílias de Flávio e Willer viajaram com passagens custeadas pela Cathedral Holding. Para os investigadores, a soma desses vínculos pode sustentar a hipótese de participação do senador nos negócios. O inquérito apura se ele seria sócio oculto da BestBet, além de investigar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a apostas.
Willer também é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A relação entre o advogado e Flávio, que se conhecem ao menos desde 2019, está entre os elementos examinados pela PF.
A campanha de Flávio afirmou que a relação com Willer é de amizade e que as suspeitas são infundadas e têm motivação eleitoral. A assessoria do advogado declarou que suas empresas e participações são lícitas, constam de registros públicos e foram informadas na declaração de Imposto de Renda.
O senador também é investigado em outro inquérito, sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a um pedido de recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Flávio deixará o Senado em fevereiro e, com isso, perderá o foro especial. A eventual saída do cargo pode alterar onde processos relacionados a fatos anteriores ao mandato tramitam, conforme as regras de competência aplicáveis.