PF aponta risco de Flávio Bolsonaro permanecer nos Estados Unidos
O senador viajou ao país com a família nesta terça-feira, sem entregar os passaportes, como determinava uma ordem de Alexandre de Moraes.
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A Polícia Federal afirmou ao ministro Alexandre de Moraes que há riscos concretos e atuais de Flávio Bolsonaro permanecer por longo período nos Estados Unidos. O senador viajou ao país com a família sem entregar os passaportes. A PF citou a capacidade financeira atribuída ao advogado Willer Tomaz e possíveis estruturas de apoio no exterior.
A Polícia Federal (PF) informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considera “concretos e atuais” os riscos de o senador Flávio Bolsonaro (PL) permanecer por longo período fora do Brasil. O parlamentar viajou aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), com a família, sem entregar os passaportes, como determinava uma ordem do ministro.
Flávio é alvo de três inquéritos no STF. Um deles apura uma suposta sociedade oculta com o advogado Willer Tomaz em uma empresa investigada por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de R$ 6 bilhões relacionado ao caso. As suspeitas são objeto de investigação e não representam uma conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos.
No pedido encaminhado a Moraes, a PF avaliou que Tomaz teria condições financeiras para sustentar o senador no exterior por tempo prolongado. O advogado mora em Miami desde agosto. “Dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje”, afirmou a autoridade policial sobre Tomaz.
A corporação também apontou que Flávio teria uma estrutura estabelecida nos Estados Unidos, o que poderia facilitar uma permanência prolongada. Entre os elementos citados estão declarações de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que afirmou na semana passada ser favorável a que Flávio deixasse o país caso perdesse a eleição presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa.
A PF registrou ainda que Eduardo foi condenado recentemente por coação no curso do processo. O ex-deputado, que teve o mandato cassado, vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e obteve um Green Card, documento que permite a residência de estrangeiros no país por tempo indeterminado. Ele descreveu a mudança como “autoexílio”.
Outro ponto levado à análise de Moraes foi a suspeita de que recursos enviados aos Estados Unidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, por meio do empresário Antonio Freixo, para supostamente financiar um filme sobre Jair Bolsonaro possam ter ajudado a custear a permanência de Eduardo no país. A PF afirmou que essa possibilidade não está descartada.
A viagem de Flávio ocorre em meio à apuração sobre a relação entre o senador e Tomaz e à ordem de entrega dos passaportes. A avaliação da PF sobre o risco de permanência no exterior foi apresentada ao ministro como parte dos argumentos para as medidas solicitadas. Os investigadores também consideraram a capacidade econômica atribuída ao senador e a existência de apoio ou estrutura nos Estados Unidos.