Petrobras bate recorde de diesel e exporta mais petróleo no trimestre
A estatal produziu 769 mil barris de diesel por dia e reduziu importações; exportações de petróleo e derivados chegaram a 1,25 milhão de barris diários.
Resumo em 30 segundos
A Petrobras registrou recordes trimestrais na produção de diesel e nas exportações de petróleo e derivados entre julho e setembro de 2026. A produção de diesel subiu 6,7% ante o mesmo período de 2025, enquanto as importações caíram 8,8%. A diferença entre o preço interno e o custo de importação do combustível era de R$ 3,76 por litro.
A Petrobras registrou recordes de produção de diesel e de exportação de petróleo e derivados no terceiro trimestre, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira. Entre julho e setembro, a estatal produziu, em média, 769 mil barris de diesel por dia, enquanto as vendas externas de petróleo e derivados chegaram a 1,25 milhão de barris diários.
A produção de diesel cresceu 6,7% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, as importações da companhia caíram 8,8%, para 110 mil barris por dia. A Petrobras atribuiu a redução ao aumento da oferta nacional, em um cenário de alta das cotações internacionais ligada à guerra no Irã.
As vendas de diesel da estatal avançaram 4,9% na comparação anual e alcançaram 849 mil barris por dia. O trimestre costuma ter demanda elevada pelo combustível, associado ao plantio da safra de inverno e à atividade industrial. Para atender o mercado, as refinarias operaram com fator de utilização de 99%, cinco pontos percentuais acima do registrado um ano antes.
A ampliação da produção também alcançou o querosene de aviação, que aumentou 3,4%, para 122 mil barris por dia. O consumo do combustível tende a crescer no período de férias escolares do meio do ano. Já as exportações de petróleo e derivados subiram 21,1% ante o terceiro trimestre de 2025, puxadas pelas vendas de óleo combustível, usado na indústria e no transporte marítimo.
Do total exportado, a Petrobras enviou ao exterior 987 mil barris de petróleo por dia; 40% desse volume teve como destino a China. A empresa também produziu uma média de 3,51 milhões de barris diários de óleo e gás, novo recorde trimestral, impulsionado pela entrada em operação de plataformas do pré-sal. O número superou a marca anterior, de 3,34 milhões de barris por dia, registrada no segundo trimestre.
A estratégia de reforçar a produção doméstica ocorre enquanto o preço do diesel vendido nas refinarias da Petrobras permanece abaixo do custo de importação calculado para o mercado brasileiro. Na abertura do mercado nesta quarta-feira, a diferença era de R$ 3,76 por litro, segundo estimativa da consultoria StoneX para a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). A companhia afirma que considera outros parâmetros para definir seus preços.
A distância entre os preços internos e os custos de importação é chamada de defasagem. Ela pode reduzir o incentivo à importação privada, pois o combustível comprado no exterior fica mais caro do que o vendido pelas refinarias nacionais. Analistas do Itaú BBA alertaram que a manutenção do patamar atual pode levar a Petrobras a descumprir sua política de preços em 2026 e exigir reajustes adicionais.
A diferença de preço também é maior que a subvenção de R$ 3,52 por litro paga atualmente pelo governo ao diesel importado. Pela estimativa citada, a operação resultaria em perda de R$ 0,24 por litro para quem importa o produto. A estatal, por sua vez, tem compensado parte do impacto dos combustíveis com o aumento das receitas de exportação.
Para entender
- Defasagem de preços
- É a diferença entre o preço praticado no mercado interno e uma referência de preço, como o custo de importar o combustível. Quando o valor nacional fica abaixo do custo externo, a importação pode se tornar menos atraente para empresas privadas.