Brasil pode voltar a importar etanol dos EUA na entressafra
Projeção da Argus estima entrada de 150 milhões a 200 milhões de litros entre outubro e março, com desembarques concentrados no porto de Suape.
Resumo em 30 segundos
O Brasil pode importar de 150 milhões a 200 milhões de litros de etanol entre outubro de 2026 e março de 2027, apesar da previsão de produção recorde na safra. A entrada do produto dos Estados Unidos depende da relação entre preços e deve se concentrar entre dezembro e fevereiro, principalmente em Suape.
O Brasil pode voltar a importar etanol entre dezembro e janeiro, com desembarques previstos principalmente no porto de Suape, em Pernambuco. A projeção para a entressafra da cana-de-açúcar foi apresentada pela corretora StoneX e pela consultoria Argus, apesar da expectativa de produção recorde do combustível no país na safra 2026/27.
A estimativa da Argus é que o país importe de 150 milhões a 200 milhões de litros entre outubro de 2026 e março de 2027. A maior parte deve chegar entre dezembro e fevereiro. No mesmo intervalo da temporada anterior, as importações somaram 228,3 milhões de litros, conforme dados compilados pela consultoria.
A possibilidade de entrada do etanol dos Estados Unidos está ligada à relação entre preços. A janela se abre quando o custo do produto importado — que inclui frete, câmbio, tarifa de 18% e despesas portuárias — fica abaixo do preço do etanol anidro nacional no Nordeste.
A Argus relaciona a previsão a uma oferta e demanda mais apertadas até o fim da safra. Chuvas associadas ao El Niño prejudicaram a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul, segundo a consultoria. Interrupções na moagem afetam mais a produção de etanol anidro do que a de hidratado, porque o anidro exige etapas adicionais de fabricação.
Outro fator citado é o benefício tributário concedido ao etanol hidratado, com isenção de PIS/Cofins até 9 de novembro. O anidro é o tipo de etanol misturado à gasolina; o hidratado é vendido diretamente como combustível nos postos. A diferença entre os preços dos dois produtos pode influenciar a disponibilidade de cada um no mercado interno.
As importações cresceram no início do ano e contribuíram para que a balança comercial do setor ficasse negativa de janeiro a março. A partir de abril, o saldo voltou a ser positivo, de acordo com a StoneX. No acumulado do ano, as exportações brasileiras de etanol recuaram 17%, para 1,03 bilhão de litros.
A queda foi puxada pela redução de 34,1% na demanda por etanol industrial, enquanto os embarques de etanol combustível aumentaram 31,7%, informou a corretora. A projeção de novas compras externas considera frete estável, alta nos preços do produto nacional e etanol norte-americano mais barato durante a entressafra, que vai de dezembro a março.