Pentulive leva transmissão de filhotes a 1,85 milhão de pessoas
A live da emissora pública finlandesa Yle acompanha seis cães 24 horas por dia durante oito semanas e também começou a ser exibida na Suécia.
Resumo em 30 segundos
Conhecido como Pentulive na Finlândia, o programa acompanha seis filhotes desde as primeiras semanas de vida até a adoção. A transmissão contínua, que mostra sobretudo os animais dormindo e crescendo, chegou a 1,85 milhão de espectadores únicos neste ano. A atração também ganhou um podcast, um jogo de palpites e uma versão nos Países Baixos.
Uma transmissão ao vivo de seis filhotes, acompanhados desde o nascimento até a adoção, virou fenômeno na Finlândia e começa a chegar a outros países. O programa “Puppy Live”, exibido pela emissora pública finlandesa Yle, mantém câmeras ligadas 24 horas por dia durante oito semanas e já alcançou 1,85 milhão de espectadores únicos neste ano. A transmissão também começou a ser exibida pela televisão pública sueca SVT.
Conhecido na Finlândia como “Pentulive”, o projeto mostra a rotina de uma ninhada de quatro machos e duas fêmeas, que tinha duas semanas de vida no início da temporada. A mãe, Hilkka, aparece amamentando e cuidando dos filhotes. A Yle informa que as mães são selecionadas com cuidado, recebem acompanhamento veterinário e que todos os filhotes do programa nasceram saudáveis.
A maior parte da transmissão é dedicada a momentos tranquilos: os filhotes dormem cerca de 20 horas por dia. Para quem acompanha, justamente a ausência de acontecimentos constantes faz parte do apelo. “Acho que qualquer pessoa interessada na transmissão ao vivo espera ver cachorrinhos dormindo na maior parte do tempo”, disse Pietu Ruuttunen, espectadora de Jyväskylä.
O formato se aproxima da chamada televisão lenta, com imagens prolongadas de cenas cotidianas ou da natureza, sem a sucessão rápida de acontecimentos típica de outros programas. Países nórdicos têm tradição nesse tipo de conteúdo: a Noruega já transmitiu por horas imagens de lenha queimando e de viagens de trem, enquanto a Suécia exibe a migração dos alces. Na Finlândia, outras transmissões acompanham, por exemplo, focas de água doce e águias-pescadoras.
Annette Hill, professora de estudos de mídia e comunicação na Universidade de Jönköping, na Suécia, relaciona esse tipo de programa à televisão por assinatura. Emissoras públicas, que não dependem de anúncios nem da venda de produtos, podem investir em conteúdos sem as mesmas exigências comerciais, explicou. Para Hill, acompanhar cenas calmas ajuda o público a desacelerar e a se concentrar no presente.
A Yle ampliou o projeto com um podcast chamado “Puppy Live” e um jogo de palpites que acompanha as oito semanas da temporada. Os participantes tentam prever características como o peso dos filhotes, o comprimento de suas caudas e qual deles crescerá mais rápido. Os jogadores somam pontos, e os vencedores de cada semana recebem uma caneca.
A transmissão começou durante a pandemia de coronavírus, quando muitas pessoas passaram mais tempo em casa. A fundadora do programa, Pirjo Koskinen, queria criar um conteúdo educativo e disse ter se surpreendido com a repercussão. “Eu realmente não sabia que isso teria um significado tão grande para a saúde mental”, afirmou. Uma das apresentadoras do podcast, Minttu Hahtola, resumiu a experiência como “terapia dos filhotes”.
O alcance cresceu desde o início. No ano passado, a live e os vídeos curtos reuniram mais de 1 milhão de espectadores únicos. Neste ano, o conteúdo já chegou a 1,85 milhão de pessoas únicas, número superior a um sexto da população finlandesa, segundo a comparação apresentada no programa. Uma emissora holandesa também comprou os direitos para produzir uma versão própria, com filhotes dos Países Baixos.
Parte do público diz recorrer à transmissão para aliviar o estresse. Kalle Kurittu, de 32 anos, morador de Helsinque, acompanha o programa há anos. Outros espectadores relatam que deixam as imagens abertas durante o trabalho, nas pausas para o café ou enquanto fazem outras atividades. Elina Peltonen, de 25 anos, afirmou que a live oferece uma pausa diante das preocupações com a guerra, que descreveu como uma ameaça constante.
A atração também acompanha o crescimento dos animais e pode ajudar a aproximar o público dos cuidados com cães. Durante a pandemia, alguns espectadores passaram a dedicar mais tempo aos próprios animais, enquanto outros decidiram adotar. A proposta, porém, não depende de grandes reviravoltas: é observar os filhotes enquanto descobrem o ambiente, dormem e crescem, até a etapa da adoção.