Pedro Alliana pode assumir Presidência se Peña sofrer impeachment
Horacio Cartes e a principal bancada governista apoiam o processo contra o presidente, enquanto a Câmara paraguaia analisa a acusação.
Resumo em 30 segundos
O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, poderá assumir a Presidência se Santiago Peña for destituído e ele permanecer no cargo. A possibilidade ganhou força após Horacio Cartes e a bancada governista ANR “A” declararem apoio ao impeachment. Alliana também enfrenta um pedido de destituição apresentado pela oposição, em meio à crise do Ueno Bank.
O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, pode assumir a Presidência caso Santiago Peña seja afastado por impeachment. A possibilidade ganhou força nesta quinta-feira, 5, quando o ex-presidente Horacio Cartes e a principal bancada governista na Câmara anunciaram apoio ao processo contra Peña, em meio à crise envolvendo o Ueno Bank.
Cartes, que lidera a Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, reuniu-se com Alliana para discutir a sucessão. Após o encontro, integrantes do partido defenderam que o vice permaneça no cargo e assuma o Executivo se Peña for destituído. Alliana também enfrenta um pedido de impeachment apresentado por parlamentares da oposição.
A Constituição paraguaia prevê que o vice-presidente substitua o chefe de Estado em caso de vacância. Se Peña deixar o cargo e Alliana continuar na Vice-Presidência, poderá concluir o mandato, previsto para terminar em 2028. O vice não antecipou como agiria diante de um eventual afastamento e afirmou estar tranquilo: “Estou muito tranquilo porque sei da minha inocência”.
A Câmara dos Deputados iniciou nesta quinta-feira a análise da acusação contra Peña. A bancada governista ANR “A” declarou que votará a favor do processo, que pode ser encaminhado ao Senado. Para aprovar a destituição, são necessários votos de dois terços dos parlamentares em cada Casa.
As acusações contra Peña incluem supostos conflitos de interesse e questões ligadas à gestão de recursos previdenciários e ao Ueno Bank. No caso de Alliana, a oposição afirma que ele teria atuado para proteger politicamente a instituição financeira. O Banco Central paraguaio iniciou nesta semana a dissolução do banco, suspendendo operações e saques. A crise também provocou protestos em Assunção e a detenção de oito executivos e empresários ligados à instituição.
Alliana tem 52 anos e atua na política paraguaia há mais de duas décadas. Nascido em Pilar, no departamento de Ñeembucú, trabalhou no comércio e jogou basquete antes de entrar na vida pública. Em 2006, disputou sem sucesso a prefeitura de Pilar; dois anos depois, foi eleito governador de Ñeembucú, cargo que ocupou até 2012.
Em 2013, chegou à Câmara dos Deputados e presidiu a Casa em diferentes períodos, entre 2019 e 2022. Também comandou o Partido Colorado de 2015 a 2023 e se aproximou do movimento Honor Colorado, liderado por Cartes. Em 2023, integrou a chapa de Peña, eleita naquele ano. Os dois assumiram o governo em 15 de agosto.
A relação de Alliana com Cartes, que governou o Paraguai entre 2013 e 2018, passou por divergências recentes, em meio a disputas internas e articulações para a sucessão presidencial de 2028. Cartes anunciou nesta quinta-feira apoio ao impeachment de Peña e disse que o partido não ficará “ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados”.
Para entender
- ANR
- A Associação Nacional Republicana, conhecida como Partido Colorado, é uma das principais forças políticas do Paraguai. Horacio Cartes lidera a legenda, que tem diferentes correntes internas, entre elas o movimento Honor Colorado.