Câmara do Paraguai debate impeachment de Peña e Alliana nesta quinta
As sessões extraordinárias discutem denúncias ligadas à crise do Ueno Bank; a convocação não significa que o presidente e o vice serão afastados.
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A Câmara dos Deputados do Paraguai marcou para esta quinta-feira duas sessões extraordinárias para discutir a abertura de processos de impeachment contra Santiago Peña e Pedro Alliana. As denúncias estão relacionadas à crise do Ueno Bank, submetido a um processo de resolução pelo Banco Central. A convocação não afasta os dois.
A Câmara dos Deputados do Paraguai marcou para esta quinta-feira (5) duas sessões extraordinárias para discutir a abertura de processos de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. As propostas, apresentadas por deputados e encaminhadas à Comissão de Assuntos Constitucionais, estão relacionadas à crise do Ueno Bank, que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai.
A discussão sobre a denúncia contra Peña está prevista para começar às 10h. Depois, os deputados devem analisar a proposta contra Alliana. A abertura dos processos ainda precisa ser discutida pela Câmara; a convocação das sessões não significa que os dois tenham sido afastados.
A crise aumentou a pressão sobre o governo porque Peña foi sócio do Grupo Vázquez, conglomerado que controla o Ueno Bank, até março de 2025. O Banco Central determinou no início da semana um processo de resolução ou fechamento da instituição, após constatar que o índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido.
Com 2,9 milhões de clientes em um país de 6,1 milhões de habitantes, o banco deixou milhares de usuários preocupados com o acesso às economias. A crise também ganhou dimensão pública porque a instituição patrocina equipes locais de futebol e eventos esportivos, entre eles a etapa paraguaia do Mundial de Rali da Federação Internacional do Automóvel (FIA).
Na quarta-feira (4), Peña promulgou uma lei aprovada pelo Congresso para acelerar a devolução de parte dos valores retidos. A norma prevê que cada depositante possa receber até 40 salários mínimos mensais — 121,7 milhões de guaranis, cerca de US$ 19 mil — em até 24 horas, sem ultrapassar cinco dias úteis após a entrada em vigor da lei.
A legislação também estabelece um adiantamento do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), mecanismo de proteção que cobre parte dos recursos mantidos em instituições financeiras. O Banco Central havia anunciado a ativação do fundo, com cobertura de até 75 salários mínimos, ou aproximadamente 228,3 milhões de guaranis, por pessoa física ou jurídica. A instituição informou ainda que fará um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis.
Peña também nomeou na quarta-feira o economista e ex-ministro Raúl Vera Bogado para chefiar o Banco Central, após a renúncia de Carlos Carvallo. Antes de assumir a presidência da autoridade monetária, em 2023, Carvallo havia dirigido a Financiera Ueno, que deu origem ao banco sob intervenção. A nomeação de Vera Bogado ainda depende de aprovação do Senado.
Para entender
- Fundo de Garantia de Depósitos
- Mecanismo de proteção que cobre parte dos depósitos mantidos em instituições financeiras. No Paraguai, o fundo é administrado no âmbito do sistema financeiro e sua cobertura segue limites definidos em lei.