Oposição israelense busca formar governo para substituir Netanyahu
O bloco tem 48 das 120 cadeiras, contra 53 do grupo de Netanyahu, e precisa negociar com partidos árabes, cuja participação divide seus cinco líderes.
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Após as eleições não garantirem maioria a nenhum bloco, os cinco líderes da oposição israelense apoiaram Gadi Eisenkot na tentativa de formar governo e evitar novo pleito. A inclusão de partidos árabes é um dos principais pontos de divergência, enquanto Netanyahu defende uma coalizão ampla sob sua liderança.
O bloco de oposição israelense liderado por Gadi Eisenkot prometeu nesta terça-feira (3) formar um governo rapidamente para substituir Benjamin Netanyahu, após as eleições da semana passada não produzirem uma maioria no Parlamento. Os cinco líderes oposicionistas se reuniram em Herzliya, ao norte de Tel Aviv, e disseram que querem evitar uma nova eleição.
A oposição conquistou 48 das 120 cadeiras, enquanto o grupo de Netanyahu obteve 53, incluindo 27 do Likud, partido do primeiro-ministro. Os partidos árabes ficaram com 19 assentos. Como nenhum bloco alcançou a maioria parlamentar, a formação do próximo governo depende de negociações e alianças entre partidos.
Os dirigentes oposicionistas afirmaram que mantêm quatro critérios estabelecidos por Eisenkot para integrar o governo. Entre eles estão reconhecer Israel como Estado judeu e condenar o Hamas como grupo terrorista, exigências que podem dificultar um acordo com alguns partidos árabes.
A possível participação dessas legendas divide a oposição. Yair Golan, líder do partido de esquerda Os Democratas, apoia publicamente uma aliança e considera racista excluir a minoria árabe. Já Avigdor Liberman, integrante de direita do bloco, rejeita a inclusão dos partidos árabes, embora também não queira que o país volte às urnas.
Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro cujo partido ficou em terceiro lugar, disse que a oposição precisa agir com urgência. Os cinco líderes, apesar das divergências, declararam apoio a Eisenkot na tentativa de formar o próximo governo.
Yousef Jabareen, líder do maior partido de maioria árabe no Parlamento eleito, afirmou que a oposição deve aceitar a “realidade política” e se unir para retirar Netanyahu do poder. Os árabes israelenses são descendentes de palestinos que permaneceram no território após a criação de Israel, em 1948, e correspondem a cerca de 20% da população.
Os dirigentes árabes condenaram o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, mas não classificaram o grupo como terrorista. O líder do partido Raam reconheceu Israel como um “Estado judeu”, enquanto outros dirigentes árabes resistem a essa definição.
Netanyahu pediu na segunda-feira (2) a formação de um “governo nacional amplo” sob sua liderança, mas descarta uma coalizão com partidos de maioria árabe. Ele afirma que essas legendas “apoiam o terrorismo e negam a existência do Estado judeu”. Nenhum líder da oposição demonstrou disposição para formar um governo de unidade com o primeiro-ministro, que enfrenta acusações de corrupção e críticas por não ter impedido o ataque de 2023.