Operação Laziosi prende três por venda de Keytruda falsificado
A investigação apura a circulação de medicamentos contra o câncer sem princípio ativo e inclui buscas em seis cidades paulistas e bloqueio de até R$ 15 milhões.
Resumo em 30 segundos
Três pessoas foram presas preventivamente na Operação Laziosi, que investiga a venda de medicamentos oncológicos falsificados. O caso começou após a identificação de uma unidade de Keytruda sem princípio ativo, vendida a um hospital de São Paulo. A Justiça também bloqueou bens e valores de até R$ 15 milhões e suspendeu sete empresas.
Três pessoas foram presas preventivamente nesta quinta-feira (5) durante a Operação Laziosi, que investiga a venda de medicamentos falsificados contra o câncer. O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil cumprem ainda 18 mandados de busca e apreensão em cidades do interior paulista e na capital.
A investigação começou em 2024, após o laboratório Merck Sharp & Dohme (MSD), responsável pelo registro do Keytruda, denunciar a venda de uma unidade falsificada ao Hospital Igesp, em São Paulo. O hospital comprou o medicamento em 21 de maio daquele ano da distribuidora Nacionalfarma, sediada em Araraquara. Uma análise do fabricante apontou que a unidade não continha o princípio ativo, e a falsificação foi confirmada por perícia oficial.
Os alvos das prisões são Nalva Braz do Nascimento, proprietária da Nacionalfarma e apontada pelo Ministério Público como responsável por comandar a estrutura investigada; Petter Gabriel Cavalcante Chagas, identificado como ligação do grupo com o mercado hospitalar e participante da cotação que levou à venda do Keytruda; e Sharlene Chaves Barbosa, apontada como responsável pela articulação financeira.
Segundo a Promotoria, entre janeiro e novembro de 2024, a Nacionalfarma emitiu notas fiscais de venda do imunoterápico que somaram mais de R$ 1,5 milhão. Os destinatários estavam em pelo menos sete estados. A análise de materiais recolhidos na primeira fase da operação, em novembro de 2024, indicou que a distribuidora poderia atuar junto a empresas de fachada.
A operação também apura a venda de outro medicamento oncológico falsificado. Em abril de 2025, depois da primeira fase da investigação, a Nacionalfarma vendeu nove unidades a um hospital do interior paulista. O laboratório responsável pelo registro confirmou a fraude. Segundo o hospital, uma unidade foi administrada a um paciente; as outras foram recolhidas pela distribuidora e substituídas por produtos de um lote que coincidia com o de uma carga roubada em Minas Gerais.
A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 15 milhões dos investigados, de empresas vinculadas a eles e de pessoas apontadas como intermediárias. Também suspendeu as atividades de sete empresas. As buscas ocorrem em Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e São Paulo.
Keytruda é o nome comercial de um imunoterápico usado no tratamento de alguns tipos de câncer. Medicamentos desse tipo atuam no sistema imunológico para ajudar o organismo a combater a doença; a ausência do princípio ativo compromete a ação esperada do produto.
Para entender
- Keytruda
- Nome comercial do pembrolizumabe, um medicamento imunoterápico usado em tratamentos de alguns tipos de câncer. Ele atua sobre mecanismos do sistema imunológico para ajudar o organismo a combater a doença.