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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Operação Laziosi prende três por venda de Keytruda falsificado

A investigação apura a circulação de medicamentos contra o câncer sem princípio ativo e inclui buscas em seis cidades paulistas e bloqueio de até R$ 15 milhões.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Frascos e embalagem de medicamento oncológico sobre uma mesa em ambiente hospitalar. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Frascos e embalagem de medicamento oncológico sobre uma mesa em ambiente hospitalar.
Resumo em 30 segundos

Três pessoas foram presas preventivamente na Operação Laziosi, que investiga a venda de medicamentos oncológicos falsificados. O caso começou após a identificação de uma unidade de Keytruda sem princípio ativo, vendida a um hospital de São Paulo. A Justiça também bloqueou bens e valores de até R$ 15 milhões e suspendeu sete empresas.

Três pessoas foram presas preventivamente nesta quinta-feira (5) durante a Operação Laziosi, que investiga a venda de medicamentos falsificados contra o câncer. O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil cumprem ainda 18 mandados de busca e apreensão em cidades do interior paulista e na capital.

A investigação começou em 2024, após o laboratório Merck Sharp & Dohme (MSD), responsável pelo registro do Keytruda, denunciar a venda de uma unidade falsificada ao Hospital Igesp, em São Paulo. O hospital comprou o medicamento em 21 de maio daquele ano da distribuidora Nacionalfarma, sediada em Araraquara. Uma análise do fabricante apontou que a unidade não continha o princípio ativo, e a falsificação foi confirmada por perícia oficial.

Os alvos das prisões são Nalva Braz do Nascimento, proprietária da Nacionalfarma e apontada pelo Ministério Público como responsável por comandar a estrutura investigada; Petter Gabriel Cavalcante Chagas, identificado como ligação do grupo com o mercado hospitalar e participante da cotação que levou à venda do Keytruda; e Sharlene Chaves Barbosa, apontada como responsável pela articulação financeira.

Segundo a Promotoria, entre janeiro e novembro de 2024, a Nacionalfarma emitiu notas fiscais de venda do imunoterápico que somaram mais de R$ 1,5 milhão. Os destinatários estavam em pelo menos sete estados. A análise de materiais recolhidos na primeira fase da operação, em novembro de 2024, indicou que a distribuidora poderia atuar junto a empresas de fachada.

A operação também apura a venda de outro medicamento oncológico falsificado. Em abril de 2025, depois da primeira fase da investigação, a Nacionalfarma vendeu nove unidades a um hospital do interior paulista. O laboratório responsável pelo registro confirmou a fraude. Segundo o hospital, uma unidade foi administrada a um paciente; as outras foram recolhidas pela distribuidora e substituídas por produtos de um lote que coincidia com o de uma carga roubada em Minas Gerais.

A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 15 milhões dos investigados, de empresas vinculadas a eles e de pessoas apontadas como intermediárias. Também suspendeu as atividades de sete empresas. As buscas ocorrem em Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e São Paulo.

Keytruda é o nome comercial de um imunoterápico usado no tratamento de alguns tipos de câncer. Medicamentos desse tipo atuam no sistema imunológico para ajudar o organismo a combater a doença; a ausência do princípio ativo compromete a ação esperada do produto.

Para entender

Keytruda
Nome comercial do pembrolizumabe, um medicamento imunoterápico usado em tratamentos de alguns tipos de câncer. Ele atua sobre mecanismos do sistema imunológico para ajudar o organismo a combater a doença.

Fontes: Estadão

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