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Domingo, 1 de novembro de 2026

ONU denuncia morte de funcionário iemenita preso pelos houthis

Mohammad el Shami estava detido desde junho de 2024; Volker Türk pede acesso aos registros e uma investigação independente sobre a morte.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Corredor vazio de uma unidade de detenção, com uma porta de cela fechada. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Corredor vazio de uma unidade de detenção, com uma porta de cela fechada.
Resumo em 30 segundos

Mohammad el Shami, funcionário iemenita do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, morreu sob custódia dos houthis. O grupo não esclareceu as causas da morte. A ONU pede que sejam preservadas as provas e que uma investigação independente apure o caso. Outros funcionários da organização e trabalhadores humanitários continuam detidos.

Mohammad el Shami, funcionário iemenita do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, morreu sob custódia dos houthis, no Iêmen, em circunstâncias que a ONU considera suspeitas. O grupo mantinha Shami preso desde 6 de junho de 2024, e a família foi avisada da morte mais de um mês depois do ocorrido, segundo o alto-comissário Volker Türk, que fez o anúncio neste sábado (31).

As causas e as circunstâncias da morte não foram esclarecidas pelos houthis, que não haviam se manifestado até a divulgação do caso. Türk pediu que o grupo entregue os registros médicos e de detenção do funcionário, preserve as provas e permita uma investigação independente. “A família de Mohammad merece saber a verdade”, afirmou o chefe da agência.

Türk também pediu a libertação imediata e incondicional de outros integrantes da ONU, trabalhadores humanitários e representantes da sociedade civil que permanecem detidos. Entre eles estão sete funcionários do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, disse o chefe da agência.

O primeiro-ministro iemenita, Shaya al-Zindani, condenou a morte e responsabilizou os houthis. Sua autoridade não é reconhecida pelo grupo. Al-Zindani afirmou que mais de 70 funcionários da ONU e integrantes de organizações não governamentais continuam presos.

Os houthis alegam que os detidos integram uma rede de espionagem a serviço dos Estados Unidos e de Israel. O grupo também acusa organizações humanitárias de usar suas atividades como cobertura para espionagem, sem apresentar provas, segundo as informações divulgadas.

O episódio ocorre em meio à retomada dos combates no Iêmen. Os houthis controlam o norte do país e tomaram a capital, Sanaa, em 2014. No ano seguinte, a Arábia Saudita liderou uma intervenção militar em apoio ao governo reconhecido internacionalmente. O conflito dividiu o país e, após um período de redução dos confrontos, voltou a se intensificar em julho.

Em outubro, o governo iemenita iniciou uma contraofensiva, apoiada por aviões de guerra sauditas, para recuperar uma área estratégica próxima ao Mar Vermelho. Os houthis, por sua vez, avançaram sobre Taiz, cidade considerada um reduto do governo, e intensificaram ataques contra Riad e estruturas sauditas, incluindo aeroportos e instalações ligadas ao setor petrolífero.

A detenção de funcionários da ONU e de organizações humanitárias já era motivo de preocupação para a entidade. A exigência de investigação independente busca esclarecer como Shami morreu enquanto estava preso e determinar se houve responsabilidade por irregularidades.

Para entender

Houthis
Movimento político e armado do Iêmen, também conhecido como Ansar Allah. O grupo controla áreas do norte do país, incluindo a capital, Sanaa, e está em conflito com o governo iemenita reconhecido internacionalmente.

Fontes: O Globo

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