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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

El Niño de 2026 divide agências sobre recorde de intensidade

Met Office e agência japonesa apontam marcas inéditas, mas órgãos dos Estados Unidos dizem que ainda não é possível confirmar se o fenômeno supera os maiores registros.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Vista aérea do oceano Pacífico sob nuvens carregadas, com luz do sol no horizonte. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Vista aérea do oceano Pacífico sob nuvens carregadas, com luz do sol no horizonte.
Resumo em 30 segundos

Agências meteorológicas divergem sobre se o El Niño atual é o mais intenso já registrado. A avaliação muda conforme a região do Pacífico e o método usados para medir o fenômeno. Nos registros americanos, o recorde ainda depende de o índice atingir determinado patamar por três meses.

O El Niño em curso já supera marcas anteriores em algumas medições, mas ainda não há consenso de que seja o mais intenso da história. A agência meteorológica britânica, o Met Office, considera sem precedentes as temperaturas da superfície do mar no Pacífico central, enquanto a Agência Meteorológica do Japão (AMJ) classifica o episódio como o mais forte de seus registros. Órgãos dos Estados Unidos dizem que o recorde ainda não foi confirmado.

A divergência decorre dos critérios usados para medir a intensidade do fenômeno. Algumas instituições acompanham diretamente a temperatura da superfície do mar; outras calculam quanto ela se afasta de uma média considerada normal. Também há diferenças na área do Pacífico analisada, o que impede comparações diretas entre todos os resultados.

O Met Office baseia sua avaliação nas temperaturas observadas no centro do Pacífico equatorial. Segundo a agência, elas já ultrapassaram os níveis registrados em episódios anteriores. A AMJ, por sua vez, considera a região Niño 3, no Pacífico oriental, e calcula a diferença em relação aos valores normais. Com esse método, o episódio atual supera o de 1997, em uma série que começa em 1949.

Os Estados Unidos monitoram a região Niño 3.4, no Pacífico centro-oriental. Para identificar um El Niño, os meteorologistas consideram temperaturas pelo menos 0,5 °C acima da média nessa área, acompanhadas por mudanças atmosféricas, como o enfraquecimento dos ventos alísios e o deslocamento das chuvas tropicais para leste.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas, usaram por muito tempo o Índice Oceânico El Niño (ONI). Ele compara as temperaturas com uma média de 30 anos, atualizada a cada cinco, para acompanhar o aquecimento global. A NOAA passou a adotar também o Índice Oceânico Relativo El Niño (RONI), que compara o aquecimento do Pacífico centro-oriental com o restante do oceano tropical. A OMM está em processo de transição para esse método.

Pelo RONI, ainda não se sabe se o episódio atual vai superar todos os anteriores nos registros americanos, iniciados em 1950. Para isso, o índice precisa alcançar ao menos 2,5 °C por três meses, superando os episódios de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016. A NOAA considera alta a possibilidade de o patamar ser atingido, mas não trata o recorde como certo.

O El Niño ocorre, em média, a cada dois a sete anos e costuma durar de nove a 12 meses. Em condições normais, ventos alísios empurram águas quentes do leste para o oeste ao longo do Equador, enquanto águas frias sobem das profundezas no Pacífico oriental. Durante o fenômeno, os ventos enfraquecem e a água quente se desloca de volta em direção às Américas, transferindo calor do oceano para a atmosfera.

Essa alteração influencia o clima em diferentes partes do mundo, com condições mais quentes e secas em algumas regiões e mais frias e úmidas em outras. A climatologista Emily Becker, da Universidade de Miami, afirmou que o episódio é muito intenso, mas disse que sua magnitude e posição histórica só poderão ser determinadas depois que ele terminar. Para ela, o fenômeno também oferece uma oportunidade de estudar seus efeitos em um planeta cada vez mais quente.

Fontes: Zero Hora

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