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Sábado, 17 de outubro de 2026

Operação Unha e Carne liga postos do Rio a empresas investigadas pelo PCC

O cruzamento envolve ADM OIL, Tobras e BK Bank; a PF aponta movimentações milionárias e pediu a prisão de Marcio Canella e Marcus Amim.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Investigador examina documentos diante de um posto de combustíveis ao entardecer. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Investigador examina documentos diante de um posto de combustíveis ao entardecer.
Resumo em 30 segundos

A oitava fase da Operação Unha e Carne identificou conexões entre um grupo suspeito de cartel e lavagem de dinheiro em postos do Rio e empresas investigadas por ligação com o PCC. A PF aponta movimentações de grandes valores por ADM OIL e BK Bank e pediu a prisão de dois investigados.

A Polícia Federal identificou conexões entre um grupo suspeito de cartel e lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis no Rio de Janeiro e empresas investigadas por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O cruzamento apareceu na oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura repasses financeiros e o uso de companhias também investigadas na Operação Carbono Oculto, sobre a infiltração da facção em setores da economia formal.

Um dos pontos de ligação é a ADM OIL Prestadora de Serviços. Embora tivesse capital social de R$ 10 mil, a empresa movimentou R$ 45 milhões, segundo a investigação. A PF afirma que ela funcionava como uma espécie de central financeira: recebia recursos dos postos e os transferia a pessoas e empresas associadas ao grupo investigado.

A apuração também aponta que Fernanda Rangel Pereira da Silva foi contratada pela ADM OIL em 2020 como auxiliar de escritório, com salário de R$ 2 mil. Apesar do cargo, ela teria feito R$ 169,4 milhões em depósitos no sistema financeiro, direcionando valores de origem considerada nebulosa para uma rede de postos e uma distribuidora. No relatório, os investigadores a descrevem como “operadora de campo do esquema”.

Parte dos repasses feitos por Fernanda foi destinada à Tobras Distribuidora de Combustíveis, alvo de uma etapa da Carbono Oculto. A suspeita investigada é de que a empresa tenha sido usada em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. As apurações sobre a ADM OIL também apontam pagamentos mensais de R$ 70 mil à Mamim Consultoria, empresa do delegado e ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim e de sua mulher. Ao longo de dois anos, os repasses superaram R$ 1,8 milhão, conforme a PF.

A fintech BK Bank aparece como outro elo entre as investigações. Fernanda mantinha uma conta pessoal na instituição, que operava em “espelhamento”, com créditos e débitos de valores correspondentes realizados imediatamente. A modalidade pode dificultar a identificação do percurso do dinheiro, especialmente quando há várias operações em sequência.

A BK também é investigada por supostamente integrar a estrutura financeira usada pelo PCC para captar recursos e adquirir empresas. Segundo as apurações, a instituição utilizava “contas bolsão”, nas quais valores de diferentes clientes eram reunidos em uma conta única, permitindo compensações internas e tornando mais difícil rastrear a origem dos recursos. As transações consideradas atípicas envolvendo empresas ligadas à facção somaram cerca de R$ 17,7 bilhões em créditos e o mesmo valor em débitos.

Em outro eixo da investigação, uma rede de postos teria movimentado mais de R$ 54 bilhões por meio da BK Bank, mas declarado ao fisco tributos equivalentes a 0,17% do volume, índice apontado como incompatível com empresas tributadas pelo lucro real. A PF também afirmou que quadrilhas podem recorrer ao setor de combustíveis para lavar dinheiro por causa da circulação intensa de valores em espécie e da possibilidade de misturar receitas legais e ilegais.

A investigação da Operação Unha e Carne levou a PF a pedir a prisão do deputado estadual eleito Marcio Canella e de Marcus Amim. O advogado de Amim, Thiago Minagé, não quis se manifestar. Fernanda Rangel, Tobras Distribuidora e BK Bank não responderam aos contatos, e a ADM OIL não foi localizada.

Para entender

PCC
O Primeiro Comando da Capital é uma organização criminosa surgida em São Paulo. É citado na notícia porque empresas investigadas por possível ligação com a facção também aparecem nas apurações sobre movimentações financeiras e o setor de combustíveis.

Fontes: O Globo

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