My Vintage Dress fecha as portas e deixa 300 encomendas pendentes
A falência da My Vintage Dress ainda não foi decretada: a defesa prevê pedir a medida após o fechamento do ateliê, que acumula reclamações de clientes.
Resumo em 30 segundos
O ateliê de vestidos de noiva My Vintage Dress encerrou as atividades por dificuldades financeiras e interrompeu a produção e as vendas. Cerca de 300 pessoas têm encomendas pendentes, embora nem todas tenham pago ou formalizado contrato. A defesa espera apresentar um pedido de falência; o Procon-SP registrou 97 reclamações contra a empresa em 2026, até setembro.
A My Vintage Dress, ateliê de vestidos de noiva que atuava em São Paulo, encerrou as atividades por dificuldades financeiras e deixou cerca de 300 clientes com encomendas pendentes, segundo o advogado da empresa, Sérgio Gabriel. A loja parou de produzir e vender vestidos e não tem recursos para pagar funcionários nem cumprir as obrigações com clientes e outros credores.
A defesa informou que a empresa não dispõe mais de condições financeiras e operacionais para manter o ateliê aberto. Em comunicado, afirmou que tentou preservar a produção e atender aos compromissos, mas que os recursos restantes se tornaram insuficientes. A equipe jurídica também buscou investidores e possíveis parceiros para adquirir parte da marca, mas as negociações não avançaram, de acordo com Gabriel.
O advogado disse que a empresa está em situação de insolvência e que a expectativa é apresentar um pedido de falência. A recuperação judicial chegou a ser considerada, mas foi descartada pela equipe jurídica porque, sem atividade e receita, a loja não teria condições de sustentar uma tentativa de reorganização. A situação pré-falimentar é uma etapa anterior a um eventual processo de falência; o encerramento, por si só, não significa que a falência já tenha sido decretada.
Em setembro, clientes foram a uma unidade da confecção em Pinheiros, na zona oeste da capital, para cobrar vestidos que não haviam sido entregues. Uma noiva relatou que a loja não entregou a peça comprada e deixou de responder às mensagens perto da data do casamento. Gabriel afirmou que cerca de 300 pessoas têm encomendas pendentes, mas ressalvou que nem todas pagaram ou formalizaram contrato com a empresa.
A defesa atribuiu parte do agravamento da situação a uma invasão e depredação das instalações, ocorridas em meio às reclamações dos clientes. Segundo o advogado, uma unidade enfrentou ação de despejo após a confusão, enquanto outra foi alvo de processo por falta de pagamento.
No mês anterior, a empresa devolveu as chaves de um imóvel alugado em Alto de Pinheiros após uma ação de despejo relacionada ao não pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). O advogado que representa o espólio do proprietário informou que as dívidas não foram quitadas e que o processo seguirá para cobrar os valores pendentes.
O Procon-SP registrou 97 reclamações contra a My Vintage Dress em 2026, até setembro. Quarenta se referiam a atraso ou falta de entrega, 30 ao descumprimento de ofertas e 13 a dificuldades para obter reembolso. Em 2025, houve uma reclamação; em 2024, nenhuma.
A empresa declarou que as pendências estão sendo avaliadas com apoio de profissionais que a assessoram e reconheceu que o fechamento afeta clientes, funcionários, fornecedores e outros credores. A defesa afirmou que busca definir as providências cabíveis e pediu que as comunicações preservem a dignidade e a segurança dos colaboradores.