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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro é comparado a Milei por propostas econômicas

A Economist vê limites nas promessas de cortes e digitalização do senador e afirma que reformas fiscais profundas exigiriam disposição para enfrentar custos políticos.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Funcionários analisam documentos em uma sala de reunião com vista para edifícios públicos de Brasília. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Funcionários analisam documentos em uma sala de reunião com vista para edifícios públicos de Brasília.
Resumo em 30 segundos

A revista britânica The Economist avaliou que o Brasil precisa de uma reforma econômica ampla, mas considera improvável que Lula ou Flávio Bolsonaro a conduzam. Flávio foi comparado ao argentino Javier Milei por propostas de reduzir ministérios, digitalizar serviços e vender imóveis públicos. A publicação também apontou obstáculos no Congresso e nas propostas do senador.

A revista britânica The Economist afirmou, em reportagem publicada na quinta-feira (22), que o Brasil precisa de uma reforma econômica ampla, mas avaliou que nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o senador Flávio Bolsonaro (PL) demonstram disposição para conduzi-la. A análise foi divulgada dois dias antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25), e comparou as propostas de Flávio às reformas do presidente argentino Javier Milei.

Segundo o texto, a economia brasileira combina gastos públicos elevados, inflação persistente e baixa taxa de poupança. A publicação apontou o custo alto dos empréstimos no país, associado às taxas de juros e às despesas do governo, como um dos principais entraves ao crescimento.

A revista reconheceu indicadores positivos durante o governo Lula: o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu acima das previsões, o desemprego ficou baixo e a inflação permaneceu próxima da meta do Banco Central. Em contrapartida, criticou a situação das contas públicas e afirmou que o superávit primário herdado pelo presidente se transformou em déficit. O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida.

A Economist também citou projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que a dívida pública brasileira chegará a 97% do PIB naquele ano, ante 84% em 2022. Na avaliação da revista, o ajuste fiscal — a redução do desequilíbrio entre receitas e despesas — poderia contribuir para baixar a inflação e os juros reais, além de direcionar recursos para atividades produtivas.

Flávio Bolsonaro foi comparado a Milei por defender a redução do número de ministérios, a digitalização do setor público e a venda de imóveis do governo federal. A publicação considerou improvável que essas medidas produzam toda a economia prometida e observou que o senador rejeitou mudanças na Previdência e em mecanismos de indexação. Para a revista, implementar uma agenda de reformas exigiria disposição semelhante à do presidente argentino para enfrentar custos políticos e econômicos.

A análise também destacou os obstáculos no Congresso. Mudanças em dispositivos constitucionais que influenciam os gastos públicos exigiriam o apoio de três quintos dos integrantes de cada uma das duas Casas, segundo a revista. A publicação avaliou que essa maioria seria difícil de reunir e concluiu que o eleito, qualquer que seja o resultado, provavelmente decepcionará as expectativas do mercado por reformas.

A comparação com Milei remete à política econômica adotada na Argentina, descrita pela Economist como favorável ao mercado, mas acompanhada de custos. A revista ponderou, porém, que as promessas de Flávio não equivalem a um compromisso comprovado com mudanças fiscais mais profundas. Para Lula, avaliou que uma vitória não significaria necessariamente uma mudança de posição em favor do rigor fiscal.

Fontes: Folha de S.Paulo

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