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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Miguel Ángel Asturias terá restos mortais trasladados à Guatemala

O escritor guatemalteco, vencedor do Nobel de Literatura de 1967, será levado de Père-Lachaise, em Paris, para seu país natal na próxima semana.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Caminho entre túmulos antigos em um cemitério parisiense. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Caminho entre túmulos antigos em um cemitério parisiense.
Resumo em 30 segundos

Os restos mortais de Miguel Ángel Asturias serão transferidos na próxima semana de Paris para a Guatemala, onde nasceu. Enterrado no cemitério Père-Lachaise desde 1974, o escritor recebeu o Nobel de Literatura em 1967. Seu arquivo pessoal, doado por ele, permanecerá na Biblioteca Nacional da França.

Os restos mortais do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias serão trasladados na próxima semana do cemitério Père-Lachaise, em Paris, para a Guatemala, seu país natal. Vencedor do Nobel de Literatura em 1967, ele morreu em 1974 e foi enterrado na capital francesa.

Asturias viveu em Paris em diferentes períodos. O primeiro, entre 1923 e 1933, foi decisivo para sua formação: estudou mitos pré-colombianos na Sorbonne, trabalhou como correspondente de jornais e frequentou cafés literários de Montparnasse, onde circulavam escritores e artistas.

“Ele foi se formando e, ali, criando também o caminho que seguiria na literatura”, disse Miguel Ángel Asturias Amado, filho do escritor, em um vídeo publicado nas redes sociais. Entre os locais frequentados pelo autor estavam o La Rotonde e o La Coupole, pontos de encontro de figuras como Miguel de Unamuno, Ramón Gómez de la Serna, Juan Gris e Georges Braque.

Em Paris, Asturias publicou “Lendas da Guatemala”, em 1930. Também avançou na escrita de “O Senhor Presidente”, romance publicado em 1946 e inspirado na ditadura de Manuel Estrada Cabrera, que governou a Guatemala entre 1898 e 1920. A obra é considerada um dos primeiros romances latino-americanos sobre autocratas, tema que se tornaria recorrente na literatura da região.

O escritor voltou à capital francesa como embaixador entre 1966 e 1970. Em 1966, recebeu o Prêmio Lenin da Paz e, no ano seguinte, o Nobel de Literatura. A notícia do Nobel chegou no dia de seu aniversário, 19 de outubro, na embaixada guatemalteca, então situada perto da Champs-Élysées.

Embora o corpo deixe Paris, parte importante do legado do autor permanecerá na cidade. Asturias decidiu doar seu arquivo pessoal à Biblioteca Nacional da França (BnF), instituição que conserva o diploma e a medalha do Nobel, além do Prêmio Lenin da Paz, manuscritos, correspondências, desenhos e outros documentos.

O acervo inclui 56 cadernos com anotações de trabalho e registros de viagens. Segundo Laurence Le Bras, responsável pelo departamento de manuscritos modernos e contemporâneos da BnF, os cadernos permitem acompanhar a evolução da escrita e do pensamento do autor. Os documentos ocupam cerca de 150 caixas de conservação e vieram do apartamento que Asturias mantinha em Paris.

A coleção também reúne desenhos de pássaros, personagens de lendas e caricaturas, muitos feitos em pedaços de papel e até em toalhas de mesa. Dois anos antes de morrer, em Madri, Asturias já havia manifestado a intenção de deixar o arquivo à biblioteca francesa. Le Bras afirmou que a doação expressa o vínculo do escritor com a França, onde construiu parte de sua formação intelectual.

Asturias, nascido em 1899, é associado ao realismo mágico e à defesa do mundo indígena. Entre suas obras mais conhecidas está “Homens de Milho”. O traslado anunciado encerra mais de meio século de permanência do escritor em Père-Lachaise e leva seus restos mortais de volta à Guatemala.

Para entender

Miguel Ángel Asturias
Escritor e diplomata guatemalteco, Asturias é conhecido por obras como “O Senhor Presidente” e “Homens de Milho”. Sua literatura aborda, entre outros temas, o poder autoritário e as culturas indígenas da Guatemala.
Père-Lachaise
Cemitério histórico de Paris, inaugurado em 1804. É o local de sepultamento de diversas figuras conhecidas da cultura e da história.
Biblioteca Nacional da França
A BnF é a biblioteca nacional francesa. Suas coleções incluem livros, manuscritos, documentos e outros materiais preservados para consulta e pesquisa.

Fontes: O Globo

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