Cidade do México realiza desfile do Dia dos Mortos inspirado em 007
Criada em 2016 após uma cena de “007 Contra Spectre”, a marcha completa dez anos e integra as festas que devem atrair cerca de meio milhão de turistas.
Resumo em 30 segundos
O desfile do Dia dos Mortos percorre neste sábado a Cidade do México com carros alegóricos, músicos e esqueletos gigantes. Inspirada por uma cena do filme “007 Contra Spectre”, a marcha foi criada em 2016. A festa ocorre em meio a preocupações com o impacto do turismo sobre tradições e cemitérios.
A Cidade do México realiza neste sábado, 31 de outubro, o desfile do Dia dos Mortos, tradição que reúne caveiras, flores, música e carros alegóricos. Criada há dez anos a partir de uma cena do filme “007 Contra Spectre”, a marcha passou a integrar as celebrações da capital mexicana, que neste ano espera receber cerca de meio milhão de turistas nacionais e estrangeiros durante a festa.
O cortejo inclui esqueletos gigantes, artistas com adereços de penas, músicos e acrobatas. No Zócalo, principal praça da cidade, foi instalada uma catrina de 11 andares de altura. A figura representa uma caveira feminina elegante, uma das imagens mais conhecidas da comemoração.
A origem do desfile está no filme lançado em 2015. Na abertura da produção, o agente James Bond caminha pelo centro da capital em meio a uma multidão fantasiada para uma marcha que não existia na cidade. Depois que o público passou a perguntar quando ocorreria o evento, o então prefeito Miguel Ángel Mancera organizou a primeira edição, em 2016, usando algumas figuras monumentais feitas para as filmagens. Mancera governou a cidade entre 2012 e 2018.
“Todo mundo começava a me perguntar: ‘E o desfile? Quando é o desfile?’”, contou Mancera. Ele disse que a marcha se tornou muito maior e que sente orgulho do resultado. A festa deste ano coincide com o fim de semana do Grande Prêmio de Fórmula 1 da Cidade do México.
O Dia dos Mortos é uma celebração mexicana em homenagem às pessoas falecidas. As festividades começam em outubro e chegam ao ponto alto em 1º e 2 de novembro, datas associadas, respectivamente, ao Dia de Todos os Santos e ao Dia de Finados. Segundo a crença, as almas dos mortos retornam temporariamente para se reunir com seus familiares.
A celebração combina práticas pré-hispânicas, ligadas também à agricultura, com tradições católicas incorporadas após a conquista espanhola, em 1521. As famílias montam altares em casa com fotografias, alimentos, doces e mezcal como oferendas. A flor de cempasúchil, de cor laranja intensa, enfeita ruas, mercados e altares; acredita-se que ela ilumine o caminho dos mortos. O pan de muerto, pão preparado para a ocasião, também é tradicional.
Em muitas regiões, familiares passam a noite de 1º de novembro nos cemitérios para homenagear seus mortos. A popularidade crescente da festa, porém, aumentou a pressão de visitantes sobre algumas comunidades e locais de sepultamento. O acadêmico Roberto Montalvo, da Universidade Ibero-Americana, observou que a celebração se transformou de uma experiência mais íntima em um evento de grande escala e questionou como conciliar o turismo com os rituais das famílias.
Na ilha de Janitzio, no estado de Michoacán, o cemitério foi fechado a turistas pela primeira vez neste ano. A decisão ocorreu após o conselho comunitário relatar danos a túmulos, cruzes e outras estruturas no perímetro, atribuídos ao excesso de visitantes. A entrada foi reservada a moradores e a amigos de pessoas sepultadas no local. As celebrações de Janitzio foram reconhecidas pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2008.
As festas também ocorrem em outros pontos do país. Em Zapotlanejo, no estado de Jalisco, duas catrinas gigantes recriaram uma cena da comédia mexicana “O Bolero de Raquel”, com Cantinflas, personagem interpretado pelo ator Mario Moreno, e a dançarina Raquel.