Meta devolve ganhos do anúncio do Muse e amplia queda na bolsa
A ação caiu em nove dos dez pregões recentes, e um analista vê possibilidade de recuo a cerca de US$ 540 no primeiro trimestre de 2027.
Resumo em 30 segundos
As ações da Meta perderam os ganhos obtidos após o anúncio do agente de inteligência artificial Muse, em setembro, e recuaram mais de 20% no último mês. O papel era negociado perto de US$ 630 nesta quinta-feira. Uma análise técnica aponta risco de novas quedas, com possibilidade de chegar a cerca de US$ 540 no início de 2027.
As ações da Meta devolveram os ganhos obtidos após o anúncio do agente de inteligência artificial Muse, em 8 de setembro, e acumulam queda superior a 20% no último mês. Nesta quinta-feira, 29 de outubro, os papéis eram negociados perto de US$ 630, depois de recuarem em nove dos dez pregões anteriores, segundo uma análise técnica das ações.
O movimento eliminou o avanço registrado no dia do anúncio, quando os papéis abriram em alta de 7%. Desde então, tentativas de recuperação foram seguidas por novas vendas. A ação está 21% abaixo de sua máxima em 52 semanas, e as quedas recentes ocorreram com volume acima da média.
A análise aponta que a pressão sobre a Meta também aparece em outros segmentos de mídia digital e entretenimento interativo. O fundo Communication Services Select Sector SPDR Fund (XLC), que acompanha empresas de serviços de comunicação, acumulava baixa de 12% em 2026 e tinha o pior desempenho entre os principais setores do mercado nos horizontes considerados. A Alphabet, segunda maior posição do fundo, também recuava nesta quinta-feira após a reação negativa aos resultados trimestrais.
Em outras empresas do setor, a AppLovin era negociada mais de 60% abaixo do pico registrado em dezembro passado. A Netflix, por sua vez, caía mais de 50% desde a máxima de julho e havia fechado em baixa em seis das últimas oito semanas.
A análise técnica considera que a Meta pode continuar em queda. Doug Busch, analista do Barron’s Investor Circle, avalia que o enfraquecimento do impulso de médio prazo e o aumento do volume de vendas apontam para um possível recuo em direção à parte inferior da faixa de negociação de 2026, entre US$ 525 e US$ 750. Ele estima que a ação possa chegar a cerca de US$ 540 no primeiro trimestre de 2027, aproximadamente 14% abaixo do preço observado nesta quinta-feira.
No gráfico semanal, Busch também identifica uma divergência baixista no Índice de Força Relativa (IFR), indicador que acompanha a velocidade e a intensidade das variações de preço. Em 2025, enquanto a ação alcançava novas máximas, o IFR registrava picos cada vez menores, sinal de perda de força compradora.
Desde agosto de 2025, os papéis oscilam em um canal amplo, entre aproximadamente US$ 500 e US$ 800. A região mais alta tem funcionado como resistência, enquanto perto de US$ 500 compradores já apareceram em diferentes ocasiões. Para Busch, esse nível também se aproxima da média móvel simples de 200 semanas, referência que calcula a média dos preços de fechamento nesse período.
A queda ocorre enquanto a Meta direciona recursos para óculos de inteligência artificial e para o Muse. A aposta original no metaverso, associada à mudança de nome do Facebook para Meta Platforms, há cinco anos, foi em grande parte abandonada pela administração.
Para entender
- Índice de Força Relativa
- O IFR é um indicador técnico que mede a velocidade e a intensidade das variações de preço de um ativo. Analistas o usam para avaliar o impulso de compra e venda; divergências entre o indicador e o preço podem ser interpretadas como sinais de enfraquecimento de uma tendência.