McKinsey contabiliza 25 mil agentes de IA em equipe global
A consultoria soma 65 mil postos no mundo, com 40 mil ocupados por pessoas, e afirma que a inteligência artificial libera profissionais para atender clientes.
Resumo em 30 segundos
A McKinsey contabiliza agentes de inteligência artificial entre os 65 mil postos de sua operação global. A consultoria também revisou critérios de recrutamento para ampliar a diversidade de formações e trajetórias. Em São Paulo, executivos destacaram o potencial latino-americano para inovar e os desafios das empresas brasileiras para obter ganhos de produtividade com IA.
A McKinsey contabiliza 65 mil postos de trabalho em sua operação global, dos quais 40 mil são ocupados por pessoas e os demais por agentes de inteligência artificial (IA), segundo a consultoria. O modelo reflete como a tecnologia passou a integrar a rotina da empresa e, de acordo com seu sócio-diretor global, Bob Sternfels, permite que os profissionais se concentrem na resolução de problemas dos clientes.
Sternfels afirma que a automação de tarefas burocráticas não reduz a importância dos funcionários. “A McKinsey não possui ativos físicos. Tudo que temos são pessoas. Então, é fundamental discutir como atrair, desenvolver, entusiasmar e reter os melhores talentos”, disse. A consultoria recebe cerca de 1,5 milhão de candidaturas por ano e contrata aproximadamente 10 mil profissionais.
A empresa revisou os dados de candidatos de uma década para identificar padrões e possíveis vieses na seleção. A análise apontou que, antes, a triagem favorecia determinadas universidades e eliminava candidatos que não tivessem estudado nelas. Também mostrou concentração de contratados em quatro campos: ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidos pela sigla STEM, em inglês.
A McKinsey decidiu reduzir o peso atribuído à instituição de ensino e ampliar a busca por graduados de outras áreas, como artes, música e história. Sternfels disse que candidatos com essas formações demonstravam bons resultados em resolução criativa de problemas. Ele próprio estudou economia e história.
A consultoria também passou a avaliar com mais atenção características que não aparecem facilmente em currículos, como resiliência. Segundo Sternfels, a empresa observou que pessoas que enfrentaram dificuldades e conseguiram se recuperar tinham maior probabilidade de se tornar sócias. A seleção antes favorecia candidatos com trajetórias consideradas sem falhas.
As fontes de recrutamento aumentaram cinco vezes durante a revisão. Experiências como trabalhar no varejo na adolescência ou participar de esportes coletivos no ensino médio passaram a ser consideradas, por indicarem contato com o público e capacidade de trabalhar em equipe. A empresa também elegeu recentemente sócios sem diploma universitário, algo que não era possível até pouco tempo atrás.
A mudança na contratação acompanha uma transformação no fluxo de inovação dentro da consultoria. Antes, novidades testadas nos Estados Unidos ou na Europa costumavam ser levadas depois a outros países. Sternfels, que trabalhou por sete anos para a McKinsey na África, disse que agora as iniciativas podem surgir em diferentes regiões e circular em várias direções, inclusive do Brasil para a Europa ou para a Indonésia.
“A inovação está se democratizando pelo mundo e estamos vendo iniciativas pioneiras que não surgem necessariamente nos maiores mercados”, afirmou Sternfels. Para ele, uma rede internacional de inovação pode ampliar a troca de soluções, e a América Latina tem potencial para contribuir nesse processo.
A reunião anual do conselho da McKinsey ocorreu em São Paulo no mês passado. Tracy Francis, sócia-diretora da consultoria para a região, afirmou que a experiência de empresas latino-americanas em cenários de baixa produtividade, inflação e volatilidade cambial, somada aos recursos naturais, favorece a região no ambiente de negócios.
Francis também apontou diferença entre a adoção de tecnologia por indivíduos e por empresas no Brasil. Embora o uso pessoal avance rapidamente, companhias ainda tendem a acumular projetos-piloto sem alcançar os ganhos esperados. Segundo ela, para elevar a produtividade, as empresas precisam repensar processos inteiros, em vez de aplicar ferramentas de IA apenas para aperfeiçoar etapas isoladas.