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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Empresas reorganizam equipes para integrar agentes de inteligência artificial

A IA agêntica combina funcionários e sistemas capazes de executar sequências de tarefas, mas sua adoção no Brasil ainda é inicial e exige mudanças na gestão e na cultura.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Profissionais colaboram em uma equipe de trabalho em um escritório moderno, usando laptops. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Profissionais colaboram em uma equipe de trabalho em um escritório moderno, usando laptops.
Resumo em 30 segundos

Empresas começam a reorganizar equipes para combinar funcionários e agentes de inteligência artificial, sistemas que podem executar tarefas e encadear ações. Estudos apontam crescimento da adoção global, mas a familiaridade das companhias brasileiras ainda é limitada. Especialistas destacam que a transição exige requalificação, revisão de funções e atenção ao risco de sobrecarga.

Empresas começam a reorganizar equipes para trabalhar com agentes de inteligência artificial (IA), sistemas capazes de executar tarefas e encadear ações com algum grau de autonomia. A mudança, que combina funcionários e tecnologia em equipes híbridas, ainda está em fase inicial no Brasil e exige alterações na estrutura, na capacitação e na cultura das organizações, segundo estudos e especialistas citados no setor.

Um levantamento da Capgemini prevê que, em dois anos, 38% das empresas no mundo terão equipes híbridas. Já um relatório da McKinsey publicado em 2025 indica que, entre empresas globais com faturamento superior a US$ 1 bilhão, 27% estão ampliando o uso de agentes de IA e 43% testam a tecnologia ou conduzem projetos-piloto. O grupo corresponde a 38% dos entrevistados no estudo.

A McKinsey estima que sistemas agênticos poderão gerar US$ 450 bilhões em valor econômico até 2028, com aumento de receitas e redução de custos nos mercados analisados. No Brasil, 56% das horas de trabalho envolvem atividades que poderiam, em termos técnicos, ser automatizadas, de acordo com estudo da consultoria. Heloisa Callegaro, sócia sênior e managing partner da McKinsey no país, ressalva que esse potencial não significa que a mesma proporção de empregos será eliminada nem que a automação necessariamente ocorrerá.

A familiaridade das empresas brasileiras com a tecnologia ainda é limitada. Pesquisa da Strand Partners para a Amazon Web Services (AWS) aponta que 26% das empresas ouvidas já tinham escutado falar em agentes de IA. Entre esse grupo, 6% haviam implantado a tecnologia, 31% estavam em fase de teste ou piloto, 45% avaliavam adotá-la no futuro e 14% não pretendiam implementá-la.

Agentes de IA são sistemas que podem realizar tarefas em nome de usuários ou empresas e, em aplicações mais complexas, coordenar etapas para atingir um objetivo. A chamada IA agêntica se diferencia de ferramentas que apenas respondem a comandos isolados por poder executar sequências de ações. Na prática empresarial, isso pode incluir a redistribuição de atividades entre pessoas e sistemas, mas os exemplos e a autonomia dependem da solução adotada.

A adoção não se resume à instalação de um programa. Natalia Zimerfeld, vice-presidente de marketing e comunicação da Capgemini Brasil, afirma que as empresas precisam partir dos objetivos de cada área e, a partir deles, decidir como organizar o trabalho. Uma preparação possível é montar equipes menores com funcionários, agentes e profissionais externos contratados sob demanda para apoiar a transição.

A gestão dessas equipes também envolve avaliar se a automação reduz o esforço ou apenas acrescenta novas tarefas. Mariana Achutti, presidente-executiva da Newnew, empresa de educação corporativa, diz que a IA pode intensificar tanto as capacidades quanto os problemas existentes. Em ambientes com prioridades claras, a tecnologia tende a ampliar o trabalho coletivo; em organizações marcadas por desorganização e urgências constantes, pode aumentar a sobrecarga.

Achutti afirma que a implementação deve ser tratada como um processo de aprendizagem e mudança cultural, não apenas como implantação de software. Segundo ela, os funcionários precisam de tempo para experimentar e de gestores que permitam erros durante a adaptação. O desafio, nesse sentido, é conciliar automação com clareza de responsabilidades e evitar que a produtividade esperada se transforme em acúmulo de trabalho.

A Salesforce testou a tecnologia internamente antes de oferecê-la a clientes, em um processo que a empresa chama de “Customer Zero”. MaryAnn Patel, responsável por serviços na nuvem para as áreas de tecnologia da informação e recursos humanos, relatou que a primeira implantação foi interrompida após uma semana de falhas. A companhia reiniciou o trabalho e estruturou um plano de adaptação em quatro frentes.

O modelo, elaborado por Nathalie Scardino, responsável global pela área de pessoas da Salesforce, prevê redesenhar funções, requalificar funcionários, deslocar talentos para novas posições e equilibrar a capacidade humana com a tecnologia. Como parte do treinamento, todos os funcionários, de diferentes níveis hierárquicos, tiveram de completar 16 horas para se tornarem “agent blazers”, denominação interna para incentivadores do uso de agentes. A formação passou a ser requisito para participar de reuniões trimestrais com a liderança.

Andy Valenzuela, executivo responsável por operações e recursos humanos na Salesforce, afirma que os agentes estimularam a colaboração entre áreas e levaram a empresa a rever divisões internas. A experiência ilustra uma das mudanças propostas pela IA agêntica: organizar o trabalho em torno dos resultados pretendidos, em vez de depender exclusivamente de departamentos e hierarquias tradicionais.

Fontes: Valor Econômico

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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