Mario Frias repassa R$ 441 mil a empresa ligada a perfis investigados
O deputado Mario Frias destinou R$ 441 mil à empresa de Jéssika Coelho, que é investigada pelo TSE por suposta atuação de perfis eleitorais.
Resumo em 30 segundos
Mario Frias pagou R$ 441 mil à Estratégia Comunicações, empresa de Jéssika Coelho, entre recursos da cota parlamentar e da campanha. A companhia também recebeu valores de outros deputados e candidaturas do PL. Jéssika é associada a perfis anônimos citados em investigação preliminar do TSE sobre possível atuação coordenada na campanha eleitoral.
O deputado federal Mario Frias (PL-SP), candidato à reeleição, repassou R$ 441 mil à Estratégia Comunicações, empresa de Jéssika Helen dos Santos, conhecida como Jéssika Coelho. A dona da companhia é apontada como responsável por perfis anônimos que compartilham conteúdo eleitoral e está no centro de uma investigação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre publicações na campanha.
Do total pago por Frias, R$ 361 mil saíram da cota parlamentar, em pagamentos feitos ao longo de três anos e meio. A empresa começou a receber R$ 7,5 mil mensais do gabinete em fevereiro de 2023, um mês depois de ter sido criada; em alguns casos, os valores chegaram a R$ 15 mil por mês. Outros R$ 80 mil foram pagos por serviços de comunicação e marketing com recursos destinados à campanha de reeleição do deputado.
Jéssika trabalhou entre 2021 e 2022 como diretora do Departamento de Empreendedorismo Cultural, na Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo, durante a gestão de Frias no governo Jair Bolsonaro. Desde novembro de 2025, ocupa um cargo no gabinete do líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB).
A Estratégia Comunicações também recebeu recursos de outros cinco deputados federais do PL: Roberta Roma (BA), Rodrigo da Zaeli (MT), Carlos Jordy (RJ), Coronel Assis (MT) e Marcos Pollon (MS). Somados os pagamentos dos gabinetes dos seis parlamentares, incluindo Frias, a empresa recebeu R$ 802 mil entre 2023 e 2026.
A companhia obteve ainda R$ 180 mil da campanha de Vanessa da Silva Oliveira, conhecida como “Negona do Bolsonaro”. Com os R$ 80 mil pagos por Frias, as campanhas eleitorais repassaram R$ 260 mil à empresa. Considerados também os valores pagos pelos gabinetes, o total recebido de parlamentares e campanhas bolsonaristas em 2026 chegou a R$ 1,062 milhão.
Segundo relatos de pessoas que conhecem Jéssika, ela administra perfis anônimos que publicam conteúdo de apoio a candidatos bolsonaristas e críticas ao governo Lula. As principais contas somam mais de cinco milhões de seguidores e fazem publicações em coautoria no Instagram com páginas ligadas à família Bolsonaro, à direita bolsonarista e a perfis de sátira política.
Em 22 de setembro, o TSE abriu uma investigação preliminar contra Flávio Bolsonaro, seu vice, Alfredo Gaspar (PL), e Frias. A ação foi proposta por uma coligação de partidos que acusa os três de possível abuso de poder econômico e político por participação em uma rede coordenada de perfis. As legendas afirmam que o uso de publicações em coautoria poderia contornar regras sobre impulsionamento e disparos em massa durante a campanha, além de apontarem possível falta de identificação de conteúdos produzidos com inteligência artificial.
A coligação também afirma que 12 perfis, com mais de dez milhões de seguidores, divulgam links de venda de produtos de campanha na Shopee, o que, segundo os partidos, violaria as regras eleitorais. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que a Meta forneça dados sobre os perfis questionados e preserve os registros de criação e acesso dos últimos 90 dias. A empresa também deverá suspender a divulgação de sites de comércio eletrônico indicados no processo.
Cueva deu ainda prazo de 48 horas para que a Shopee informe os responsáveis pela Bella Chic Store e identifique os titulares de três links encurtados usados pelos perfis, além de esclarecer se estão ligados a contas de afiliados da plataforma. Uma eventual condenação na ação de investigação judicial eleitoral pode levar à cassação de candidaturas ou mandatos e à inelegibilidade por oito anos.
Jéssika não negou as informações e não quis se manifestar. Frias e Cabo Gilberto Silva não responderam aos pedidos de manifestação.
Quem é quem
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira, responsável por organizar e supervisionar eleições nacionais e por julgar questões eleitorais em sua esfera de competência. Atua com os tribunais regionais eleitorais e estabelece regras para o processo eleitoral.
- Câmara dos Deputados
- Uma das duas casas do Congresso Nacional brasileiro, ao lado do Senado Federal. Seus integrantes são deputados federais eleitos para mandatos legislativos e participam da elaboração de leis, da fiscalização do governo federal e de debates sobre políticas públicas.