Maria Middleton pode ter causa de canonização aberta pela Igreja
O arcebispo da Filadélfia recebeu em junho uma petição para iniciar uma consulta preliminar, etapa anterior à eventual abertura formal do processo.
Resumo em 30 segundos
A Igreja Católica avalia preliminarmente a possibilidade de abrir uma causa de canonização para Maria Middleton, jovem da Pensilvânia que morreu aos 18 anos, em 2020, após enfrentar um tumor cerebral inoperável. A petição foi entregue ao arcebispo da Filadélfia. A etapa ainda não representa a abertura formal da causa.
Maria Middleton, jovem católica que morreu aos 18 anos após ser diagnosticada com um tumor cerebral inoperável, pode ter sua causa de canonização aberta pela Igreja. Em junho, o arcebispo da Filadélfia, Nelson Pérez, recebeu uma petição para iniciar o processo preliminar de consulta sobre a possibilidade de reconhecê-la como santa. A família e apoiadores se reuniram em 5 de outubro no Santuário Nacional de Nossa Senhora de Czestochowa, em Doylestown, na Pensilvânia, para uma missa no aniversário de sua morte.
A celebração foi presidida por Pérez, que contou ter conhecido Maria durante a pandemia de covid-19. Com as missas públicas suspensas, ela escreveu ao arcebispo porque queria receber a Eucaristia, que considerava uma graça necessária durante a doença. Ele respondeu no mesmo dia e se ofereceu para levar a comunhão pessoalmente.
“Ela definitivamente viveu uma vida que exemplificou” o mandamento de amar a Deus “com todo o seu coração”, disse Pérez na missa. O arcebispo afirmou que o testemunho da jovem também pode incentivar outras pessoas a cultivar a fé e a esperança.
A Igreja ainda está em uma etapa inicial de avaliação. A petição entregue a Pérez deu início a uma consulta preliminar, que precede a eventual abertura formal de uma causa. A canonização é o reconhecimento oficial, pelo papa, de que uma pessoa falecida pode ser venerada como santa; o processo exige investigação de sua vida e, em geral, a análise de milagres atribuídos à sua intercessão.
Maria morreu em 8 de outubro de 2020, depois de viver com o tumor por cerca de 21 meses. Ela recebeu o diagnóstico em janeiro de 2019, aos 16 anos. Os médicos disseram à família que ela poderia ter de nove a 12 meses de vida. O tumor atingia o tronco cerebral e não podia ser operado.
Mesmo com a progressão da doença e a perda de capacidades físicas, pessoas próximas relataram que Maria manteve a tranquilidade e a atenção aos outros. O padre Simione Volavola, que a conhecia desde a infância, estava com a família quando ela recebeu o diagnóstico. “Ela era a pessoa mais tranquila na sala”, disse. Segundo ele, Maria aceitou a notícia com serenidade e enfrentou o sofrimento sem perder a paz.
A jovem continuou esperando por uma cura, mas também procurou aceitar a vontade de Deus. Seus diários, iniciados quando era criança, registram sua formação religiosa. Uma das primeiras frases anotadas, aos 11 anos, foi “Deus é misericordioso”. Quando o tumor já dificultava sua escrita, suas últimas palavras registradas foram “Pense esperança”, expressão que deu nome à fundação criada em sua memória.
A preocupação de Maria com outras pessoas também apareceu durante uma viagem a Uganda, nove meses após o diagnóstico. Ela conheceu a história de Patience, uma estudante que pediu orações pelo irmão, diagnosticado com anemia falciforme. Mais tarde, Maria usou uma oportunidade oferecida pela Make-A-Wish para ajudar a família da menina e a escola onde ela estudava.
Em casa, durante o isolamento da pandemia, amigos organizaram encontros virtuais para rezar pela recuperação de Maria. Um rosário realizado pelo Zoom reuniu mais de 2 mil pessoas, e mais de 500 carros participaram de uma carreata em frente à casa da família. Desde a morte da jovem, seus pais, Brian e Susan Middleton, recebem dezenas de mensagens por semana de pessoas que dizem ter sido influenciadas por sua história, inclusive fiéis que retomaram a participação na Igreja ou nos sacramentos.
Maria nasceu em 10 de setembro de 2002 e cresceu no condado de Bucks, na Pensilvânia. Era estudante dedicada, foi presidente de classe e integrou a Sociedade Nacional de Honra. Também gostava de música, dança irlandesa e esportes, e participava de atividades da paróquia. Na escola, começou uma arrecadação de casacos para a Mother of Mercy House, em Kensington, e ajudou a organizar uma maratona de dança para arrecadar dinheiro para crianças com câncer. O evento recebeu o nome Hope-A-Thon em sua memória.
“Você não precisa ser esquisito para ser santo”, dizia uma frase de Maria reproduzida em um cartão distribuído em uma paróquia. O padre Griffen Schlaepfer, que conheceu a história dela após sua morte, afirmou que a jovem mostrou que a santidade pode coexistir com uma vida alegre e plenamente vivida. Em 2025, a família publicou o livro “Think Hope: Maria Middleton’s Life of Unyielding Trust in God”, sobre a trajetória e a fé de Maria.