Macron anuncia medidas para responder a protestos na França
O governo deve detalhar as propostas após reunião com sindicatos estudantis; autoridades também preveem novos distúrbios durante atos marcados para 31 de outubro.
Resumo em 30 segundos
Em meio a semanas de protestos na França, Emmanuel Macron pediu ao governo uma resposta às reivindicações dos manifestantes, que incluem mais recursos para a educação e mudanças no ingresso às universidades. Autoridades relatam prisões e prejuízos ao comércio e temem novos distúrbios em manifestações previstas para 31 de outubro.
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira, 26, que o governo apresentará medidas para responder às reivindicações que levaram a semanas de protestos no país. Em visita a Marselha para avaliar danos de manifestações anteriores, ele também reconheceu o risco de novos distúrbios nos próximos dias.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, deve falar após reunião com sindicatos de estudantes do ensino médio. Eles pedem mais recursos para a educação e mudanças no sistema de admissão às universidades, que, segundo os representantes, mantém desigualdades. Macron afirmou que pediu ao governo uma resposta às demandas que considera legítimas.
As manifestações começaram com reivindicações estudantis, mas incorporaram sindicatos e ativistas dos coletes amarelos, movimento conhecido por protestos contra pressões econômicas, entre elas o aumento dos preços dos combustíveis. No sábado, sindicatos convocaram atos contra o custo de vida e a situação dos serviços públicos. A onda de violência registrada em dezenas de cidades nove dias antes havia aumentado o temor de que as autoridades tivessem perdido o controle das ruas.
O Ministério do Interior mobilizou 70 mil policiais para as manifestações de sábado. O ministro Laurent Nunez disse que a presença policial evitou a repetição da violência do início do mês, mas prevê novos confrontos durante atos marcados para 31 de outubro. “Claramente, sim”, respondeu à emissora BFM TV ao ser questionado sobre a possibilidade de distúrbios. Ele também afirmou que a noite de Halloween costuma ser agitada e que espera dificuldades novamente.
Segundo Nunez, 1.435 pessoas foram presas em todo o país no sábado. O ministro relatou ainda confrontos, em várias cidades, entre grupos organizados de extrema direita e ativistas de extrema esquerda. Ele disse que movimentos nacionalistas e identitários foram às ruas sob a justificativa de proteger estabelecimentos comerciais, mas que, em locais como Nice e Montpellier, teriam buscado atacar grupos de ultraesquerda.
A porta-voz do governo, Maud Bregeon, afirmou que o Estado prevaleceu durante o fim de semana e demonstrou força. Ela disse que as reivindicações dos manifestantes precisam ser ouvidas, mas condicionou negociações efetivas à retomada da calma. Os episódios de violência foram registrados especialmente em Paris, Marselha e Lyon, as três maiores cidades francesas.
Os protestos também afetam o comércio. Alain Di Crescenzo, presidente da CCI France, entidade que reúne câmaras de comércio e indústria, afirmou que muitos lojistas mantiveram as portas fechadas por precaução após a violência de 17 de outubro. Segundo ele, as vendas caíram cerca de 80%, e comerciantes estão cansados e desmoralizados.
Macron tem margem limitada para responder à crise com concessões que impliquem gastos, em meio à pressão sobre as finanças públicas e com o mandato presidencial previsto para terminar em abril. O governo deve detalhar as medidas após a reunião de Lecornu com os sindicatos estudantis.
Para entender
- Coletes amarelos
- Movimento de protesto surgido na França em 2018, identificado pelos coletes de alta visibilidade usados por muitos participantes. Mobilizou manifestações contra pressões econômicas, incluindo o aumento dos preços dos combustíveis.