Lula vence Flávio Bolsonaro e conquista quarto mandato
Com 99,89% das seções totalizadas, o presidente soma 64,16 milhões de votos e abre vantagem de 4,38 milhões sobre o candidato do PL.
Resumo em 30 segundos
Lula venceu Flávio Bolsonaro no segundo turno e foi reeleito para um quarto mandato, com diferença de cerca de 4,38 milhões de votos. Em São Paulo, ganhou na capital, mas perdeu no estado. A vitória freia o avanço do PL, enquanto o novo governo terá de negociar com um Congresso de maioria conservadora.
Luiz Inácio Lula da Silva venceu Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, neste domingo (25), e foi reeleito para um quarto mandato. Com 99,89% das seções totalizadas, Lula tinha 64,16 milhões de votos, ante 59,78 milhões do candidato do PL: uma diferença de cerca de 4,38 milhões de votos, ou 3,54 pontos percentuais.
A vantagem torna politicamente difícil contestar o resultado, embora a campanha possa questioná-lo na Justiça. Um dos pontos de controvérsia é a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação até as 19h, anunciada quando muitas urnas já haviam sido fechadas. A mudança levantou dúvidas sobre a uniformidade das condições de votação, mas a diferença apurada reduz a possibilidade de que uma contestação reverta a vitória.
Em São Paulo, os resultados foram diferentes na capital e no conjunto do estado. Com todas as urnas apuradas na cidade, Lula recebeu 55,5% dos votos válidos, contra 44,5% de Flávio. No estado, o candidato do PL ficou à frente, com 53,85%, enquanto o presidente teve 46,15%.
Na capital paulista, Lula venceu em 43 das 57 zonas eleitorais. Flávio foi o mais votado em 14, com seu melhor resultado no Tatuapé, onde alcançou 58,53%. No estado, o senador liderou na maioria dos municípios, incluindo São José dos Campos, Ribeirão Preto e Sorocaba. Lula venceu em cidades da região metropolitana, como Cotia, Itapecerica da Serra e Embu das Artes, além de São Bernardo do Campo.
A reeleição muda a disputa política em Brasília. Lula terá de governar com um Congresso de maioria conservadora e limitações fiscais que restringem a ampliação de gastos e o atendimento a demandas de aliados. A vitória também interrompe o avanço do PL e de seus parceiros no primeiro turno e deve levar governadores e lideranças partidárias a negociar com o governo federal para aprovar projetos e buscar recursos.
No Rio Grande do Sul, o governador eleito Luciano Zucco (PL), que apoiou Flávio e acompanhou a apuração em Brasília, terá de articular com o Planalto. Antes do segundo turno, Zucco havia dito que negociaria com o governo federal independentemente do resultado. Entre os temas de interesse do estado estão a dívida com a União e a proposta de um fundo constitucional de desenvolvimento para o Sul e o Sudeste.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Câmara e derrotado na disputa pelo Senado, colocou-se à disposição para aproximar Zucco do governo Lula. A capacidade de construir acordos será central para o novo mandato, sobretudo diante das diferenças partidárias e da composição do Congresso.