Pular para o conteúdo
Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Lula reorganiza base no Congresso e negocia novo ministério

Motta e Alcolumbre ainda articulam apoio para tentar novo mandato, enquanto Lula negocia alianças e busca aprovar prioridades antes do recesso.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: O Congresso Nacional em Brasília ao anoitecer, com parlamentares caminhando pela praça. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: O Congresso Nacional em Brasília ao anoitecer, com parlamentares caminhando pela praça.
Resumo em 30 segundos

Após vencer a eleição, Lula tenta aproximar o governo do centrão e dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que buscam novo mandato. O presidente também negocia espaço para partidos na Esplanada e quer avançar em pautas no Congresso e na indicação para o STF antes do recesso parlamentar.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a reorganizar sua base no Congresso e a planejar a composição do próximo governo depois de vencer a eleição. A estratégia inclui aproximar o Planalto do centrão e dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que disputam a reeleição para comandar as duas Casas.

Motta e Alcolumbre articulam uma aliança de partidos de esquerda e do centrão. O objetivo é reunir apoio suficiente para isolar a ala mais radical do PL, que tem a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado. Lula acompanha as negociações porque a rede de apoio aos dois presidentes pode se tornar a base de sustentação do governo no Legislativo.

Na Câmara, 15 partidos já declararam apoio a Motta. No Senado, Alcolumbre recebeu a adesão da federação União Brasil-Progressistas. O grupo de senadores bolsonaristas mais alinhados à oposição soma 37 das 81 cadeiras; a esquerda tem 26, enquanto os outros 18 parlamentares são do centro e podem negociar com o governo.

A aproximação com o centrão também passa por Arthur Lira (PP-AL), deputado que foi eleito senador. O Planalto considera o ex-presidente da Câmara um interlocutor estratégico e busca reabrir canais com ele. Lira mantém influência sobre cargos no governo, entre eles a presidência da Caixa Econômica Federal; assessores palacianos dizem que, para conservar o posto e eventualmente ampliar espaço, ele terá de sinalizar apoio ao governo e mobilizar senadores próximos.

O PT também procura consolidar alianças com União Brasil, PSD e MDB. Depois que Flávio Bolsonaro, do PL, se declarou “presidente eleito” em uma carta, dirigentes petistas pediram aos comandos dos três partidos que divulgassem notas reafirmando o resultado da eleição. As legendas já haviam reconhecido a vitória de Lula e reiteraram essa posição.

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, anunciou que liberará filiados para participar do governo. A presença do MDB na Esplanada é considerada provável, em razão da aliança entre Lula e a ala nordestina do partido. O mesmo cenário é esperado para o PSD, que foi o único partido do centrão a manter neutralidade no segundo turno; os demais apoiaram Flávio.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afastou-se do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e informou ao Planalto que espera obter ao menos três ministérios, um a mais do que a sigla ocupa atualmente. PSD, MDB e União Brasil chegaram a ter três pastas cada no mandato em curso, mas, segundo a avaliação do governo, nem sempre apoiaram o Planalto em votações importantes. Lula quer mais fidelidade dos partidos que entrarem na nova equipe.

Antes de definir o ministério, o presidente pretende usar o resultado eleitoral para tentar aprovar temas pendentes no Congresso. Entre as prioridades estão uma medida provisória que proíbe o funcionamento das bets — plataformas de apostas esportivas — e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que redefine atribuições das forças policiais e as políticas de combate à criminalidade.

Lula também quer preencher a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) aberta após a saída de Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado. A indicação de Jorge Messias foi rejeitada pelo Senado em abril deste ano. O nome considerado mais provável agora é o do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco, escolha que poderia fortalecer a relação com Alcolumbre e com os senadores de centro. Se Pacheco for indicado ao STF, será necessário escolher alguém para substituí-lo no TCU. O governo pretende concluir essas articulações antes do recesso parlamentar, em dezembro.

A reforma ministerial será ampla. Uma das propostas em discussão é criar uma estrutura federal dedicada à população idosa, chamada de Ministério do Idoso. Lula também planeja uma secretaria de comunicação digital inspirada no “Exército do Lula”, canal de WhatsApp criado durante a campanha pelo deputado André Janones (Rede-MG). A ideia é manter a base mobilizada, ampliar a comunicação com apoiadores e ouvir demandas populares.

Os ministérios já receberam orientações para preparar a passagem ao próximo mandato. Em reunião na quinta-feira (29), secretários-executivos foram instruídos a manter ações e planejamentos em andamento e a organizar balanços e projeções para os primeiros cem dias. Não haverá transição entre as equipes, segundo a orientação repassada aos representantes das pastas.

A vitória de Lula, por 4,4 milhões de votos de diferença, alterou as expectativas sobre a governabilidade. Antes do segundo turno, o presidente avaliava que uma oposição fortalecida poderia dificultar a aprovação de projetos e chegou a considerar o uso de medidas provisórias para lançar programas com efeitos imediatos. O resultado, que foi de 64 milhões de votos para Lula, levou parlamentares que poderiam se aproximar da oposição a reconsiderar suas posições, mas o governo ainda precisará negociar apoio a cada votação.

A montagem da equipe também deve levar em conta o desempenho eleitoral dos aliados. Lula pretende evitar um ministério formado por políticos derrotados, embora a regra possa ter exceções para nomes que abriram mão de candidaturas a pedido do presidente, como Gleisi Hoffmann, no Paraná, e Fernando Haddad, em São Paulo. O ministro Paulo Pimenta (PT-RS), que concorreu ao Senado e terminou em quarto lugar, pode perder espaço. Já Edegar Pretto, ex-deputado indicado pelo PT gaúcho, é cotado para integrar o governo após ter desistido de uma candidatura, aceitado ser vice de Juliana Brizola (PDT) e coordenado a campanha de Lula no Rio Grande do Sul.

Fontes: Zero Hora

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também