Lula critica suspensão do canal Exército do Lula no WhatsApp
O presidente diz que o TSE deve tratar as candidaturas igualmente; o canal foi liberado provisoriamente, e relatório não encontrou novas publicações com as alegações analisadas.
Resumo em 30 segundos
Lula criticou a suspensão do canal Exército do Lula no WhatsApp, determinada por Kassio Nunes Marques a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a ordem e liberou provisoriamente o canal. Relatório técnico do TSE não encontrou, entre 2 e 11 de outubro, novas publicações com as afirmações apontadas pela campanha de Flávio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (12) que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, não pode agir com “lado na política”, após o ministro determinar a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp. A decisão foi revertida no domingo (11) pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que liberou provisoriamente o canal.
“Eu acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha. Isso é visível e já foi denunciado. Eu não vou criar só o ‘Exército do Lula’, eu vou criar agora o Exército, a Marinha e a Aeronáutica do Lula no WhatsApp, porque é a forma mais barata da gente fazer campanha”, disse Lula a jornalistas, depois de assistir a uma missa na capela do Palácio da Alvorada em homenagem a Nossa Senhora Aparecida.
O presidente afirmou que Nunes Marques deve agir em favor da igualdade de tratamento entre as candidaturas. “Para ele achar que tem que cortar, ele tem que mostrar qual é a ilegalidade, onde é que estamos transgredindo a lei. O que não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política”, declarou. Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio Bolsonaro, adversário de Lula na disputa presidencial.
A suspensão foi determinada a pedido da campanha de Flávio, que acusou o canal de disseminar desinformação. Ao reverter a ordem, Cueva considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a retirada integral do canal e determinou que conteúdos falsos já analisados pelo TSE não sejam publicados. A disputa envolve, portanto, tanto a possibilidade de circulação do canal quanto o cumprimento das regras eleitorais sobre desinformação.
Em relatório solicitado por Nunes Marques, a área técnica do TSE informou que não encontrou, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, novas reproduções das afirmações apontadas pela campanha de Flávio. A análise, porém, não incluiu parte das mensagens de setembro, apagadas do canal a partir de 7 de outubro. O documento também registrou mensagens editadas cujo texto original não estava disponível para consulta pública.
A avaliação técnica mencionou ainda linguagem polarizadora e o risco de rápida disseminação de mensagens, mas ressaltou que o número de inscritos não permite determinar quantas pessoas viram cada publicação. O canal foi criado e é administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Uma matéria sobre o relatório informa que ele tinha mais de 3 milhões de inscritos; outra registra mais de 3,3 milhões.
Em nota, a campanha de Flávio contestou as conclusões e alegou que mensagens foram apagadas depois que o caso chegou à Justiça Eleitoral. A equipe afirmou ter guardado parte do conteúdo e disse que o combate a canais que, segundo ela, tentam contornar as regras eleitorais “não é e nem nunca foi censura”, mas uma obrigação legal. O relatório técnico poderá subsidiar novas decisões do tribunal sobre o caso.