Lula planeja atrair data centers e criar inteligência artificial brasileira
No primeiro discurso após a vitória, ele associou a expansão à energia renovável e defendeu contrapartidas para reservar capacidade de processamento ao mercado nacional.
Resumo em 30 segundos
Lula afirmou que pretende atrair data centers aproveitando a geração de energia renovável do Brasil e desenvolver uma inteligência artificial nacional. As propostas incluem reservar capacidade computacional para o mercado brasileiro, investir em pesquisa e modelos de linguagem e ampliar a formação em matemática e engenharia. O presidente também defendeu regular grandes empresas de tecnologia.
Reeleito presidente do Brasil neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende atrair data centers, ampliar investimentos na economia digital e desenvolver uma inteligência artificial brasileira durante seu quarto mandato. As propostas foram apresentadas no primeiro discurso após a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno das eleições de 2026.
Lula defendeu aproveitar a geração de energia renovável do país para atrair empresas de tecnologia e instalar estruturas de armazenamento e processamento de dados. “Temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tenha mais capacidade de energia renovável para trazer os datacenters necessários para acumular dados no Brasil. E essa gente vai ter que deixar uma parte dos datacenters para as informações brasileiras”, declarou.
Data centers são instalações que concentram equipamentos para armazenar, processar e distribuir informações. Eles sustentam serviços como computação em nuvem, plataformas digitais e sistemas de inteligência artificial. O plano de governo de Lula prevê contrapartidas para empresas que instalarem essas estruturas no país, entre elas reservar capacidade computacional para atender ao mercado brasileiro.
A proposta também prevê fortalecer a cadeia nacional de centros de dados e serviços de nuvem, além de investir em supercomputadores desenvolvidos e operados por instituições brasileiras. O plano estabelece que a expansão seja acompanhada de exigências socioambientais, com foco em eficiência energética e uso progressivo de fontes 100% renováveis. Também prevê avaliar impactos sobre o abastecimento de água, o sistema elétrico e as comunidades locais, além de contrapartidas de conteúdo local.
Na área de inteligência artificial, Lula afirmou que quer reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras, especialmente de empresas dos Estados Unidos e da China. “Queremos ensinar mais matemática, mais engenharia porque não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa e americana. Quero criar uma [inteligência artificial] brasileira”, disse.
O plano propõe desenvolver e manter modelos de linguagem em português e em outras línguas, voltados a problemas e necessidades do país. Também prevê uma plataforma nacional de dados para treinar e avaliar esses sistemas. Modelos de linguagem são tecnologias treinadas com grandes volumes de texto para compreender e produzir conteúdo; sua atuação depende dos dados usados no treinamento e do desenvolvimento dos sistemas.
Entre as medidas previstas estão fortalecer instituições públicas de pesquisa e desenvolvimento, apoiar empresas brasileiras de hardware e software de alto desempenho e aproximar universidades, centros de pesquisa e setor produtivo. O plano cita possíveis aplicações de inteligência artificial no agronegócio, na saúde e nos serviços financeiros. Lula também relacionou o avanço tecnológico à ampliação do ensino de matemática e engenharia.
O presidente reeleito voltou a defender regras para as grandes empresas de tecnologia e associou a proposta à influência das plataformas digitais durante as eleições. “Vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime da vida real”, afirmou. Ele também criticou empresas que, segundo disse, lucram no Brasil sem pagar impostos e tentam influenciar resultados eleitorais.
Lula venceu com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro, segundo a apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O quarto mandato do presidente começa em janeiro de 2027. As propostas de tecnologia estão alinhadas ao plano de governo, que reúne medidas de infraestrutura digital, inteligência artificial, formação profissional e fortalecimento da indústria nacional.