Lori Logan defende ao menos mais duas altas de juros nos EUA
A dirigente do Fed de Dallas propõe uma pausa depois dos aumentos para avaliar os dados; o aperto nos EUA também pode afetar o Brasil.
Resumo em 30 segundos
Lori Logan, presidente do Fed de Dallas, defendeu ao menos mais duas altas de 0,25 ponto percentual nos juros americanos antes de uma pausa para avaliar a economia. Ela afirmou que o aperto busca conter a inflação sem comprometer o pleno emprego. A opinião não representa uma decisão do Fomc, responsável por definir a taxa básica.
A presidente do Federal Reserve (Fed) de Dallas, Lori Logan, afirmou que o banco central dos Estados Unidos deve elevar os juros ao menos mais duas vezes, em incrementos de 0,25 ponto percentual, antes de interromper o ciclo de aperto monetário. Ela fez a avaliação em um evento e disse que, depois dessas altas, seria adequado pausar para analisar os dados econômicos e financeiros.
Logan afirmou que o objetivo é tornar a política monetária moderadamente restritiva para levar a inflação de volta à meta do Fed e preservar o pleno emprego. A pausa, segundo ela, não significaria mudança nesse propósito: daria tempo para famílias, empresas e mercados se adaptarem aos custos maiores de crédito.
A dirigente disse que pode rever sua posição se mudarem as perspectivas econômicas ou os riscos. Para ela, uma elevação gradual ajuda a reduzir o risco de uma desaceleração mais acentuada do que a necessária, em um cenário de volatilidade nos mercados financeiros.
Logan relacionou parte dessa instabilidade às notícias sobre as perspectivas de investimento em tecnologia e a acontecimentos geopolíticos. Também afirmou que a alta dos juros de longo prazo neste ano reflete expectativas de crescimento nominal mais forte e de taxas neutras mais elevadas — o nível de juros que, em tese, não estimula nem restringe a atividade econômica. Na avaliação dela, esses fatores apontam para a necessidade de maior aperto monetário.
As declarações de Logan representam sua avaliação sobre o caminho dos juros; não equivalem, por si só, a uma decisão do comitê responsável pela política monetária dos Estados Unidos. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) define a taxa básica e avalia a inflação, o emprego e outras condições econômicas em suas decisões.
Uma alta nos juros americanos pode ter efeitos sobre o Brasil porque títulos dos Estados Unidos passam a oferecer retornos maiores e podem atrair recursos de investidores. Isso pode pressionar o câmbio e elevar os custos de financiamento, embora o impacto dependa também das condições econômicas e das decisões de política monetária brasileiras. Logan observou que, se os participantes do mercado compreenderem os planos do Fomc, o momento exato de cada aumento tende a ter pouco efeito sobre as taxas de longo prazo.
Para entender
- Fomc
- O Comitê Federal de Mercado Aberto é o órgão do Federal Reserve que define a política monetária dos Estados Unidos, incluindo a taxa básica de juros. Suas decisões consideram fatores como inflação, emprego e condições econômicas.