Léo Índio está na Argentina desde 2025 após atos de 8 de janeiro
Primo dos filhos mais velhos de Jair Bolsonaro, ele declarou endereço em Porto Iguaçu ao STF e concedeu entrevista a uma emissora argentina.
Resumo em 30 segundos
Léo Índio, investigado por participação nos atos de 8 de janeiro, está na cidade argentina de Porto Iguaçu desde 2025. Ele informou ao STF um endereço no local e, no mesmo dia, deu entrevista a uma emissora argentina. Na conversa, chamou os atos de manifestação pacífica e atribuiu a depredação a infiltrados, sem apresentar provas.
Léo Índio, primo dos filhos mais velhos de Jair Bolsonaro e investigado por participação nos atos de 8 de janeiro, está em Porto Iguaçu, na Argentina, desde 2025. A cidade fica na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná, região por onde o senador Flávio Bolsonaro e a família teriam passado antes de seguir para os Estados Unidos, segundo o governo argentino.
Leonardo Rodrigues de Jesus, de 43 anos, é um dos brasileiros foragidos na Argentina após a tentativa de golpe. Em março de 2025, ele informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um endereço em Porto Iguaçu. Um homem que estava no local afirmou que nenhum Leonardo morava ali; no mesmo dia, Léo Índio concedeu entrevista a uma emissora de televisão argentina.
Na entrevista, ele disse que ficou contente ao saber que o primo havia saído do Brasil, porque, em sua avaliação, Flávio seria preso. Também descreveu os atos de 8 de janeiro como uma “manifestação pacífica” e afirmou, sem apresentar evidências, que a depredação ocorreu por causa da ação de infiltrados.
Em 2024, o STF contabilizou 61 brasileiros foragidos na Argentina por envolvimento na tentativa de golpe. O levantamento não especificou quantos atravessaram a fronteira por via terrestre nem os pontos usados para entrar no país.
A passagem de Flávio pela Argentina foi registrada na terça-feira (27). De acordo com a Direção Nacional de Migrações argentina, o senador, a mulher e as duas filhas entraram no país às 22h50 pela fronteira entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. Às 23h30, embarcaram em um voo particular para Guayaquil, no Equador, e depois seguiram para Miami, onde chegaram por volta das 10h30 de quarta-feira (28).
A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a apreensão dos passaportes do senador e proibir que ele deixasse o Brasil. A rota usada pela família ainda não está completamente esclarecida. A Polícia Federal divulgou um comunicado sobre os limites legais para deter Flávio sem uma ordem de prisão, mas a apuração é conduzida em Brasília.
O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, na quinta-feira (29), para tratar da passagem do senador pelo país vizinho. O encontro foi descrito por uma fonte diplomática brasileira como procedimento de praxe e transcorreu normalmente. O conteúdo da conversa não foi divulgado oficialmente.
Na sexta-feira (30), o chanceler argentino, Pablo Quirno, negou que o Brasil tivesse pedido explicações. “Falso. Não houve nenhum pedido de explicações”, escreveu na rede social X, em resposta a uma publicação sobre a cobrança brasileira. A divergência pública se deu após a reunião entre a diplomata e representantes do Itamaraty.
Foz do Iguaçu e cidades próximas formam uma rota de circulação entre Brasil, Argentina e Paraguai. A região também tem uma base eleitoral expressiva do bolsonarismo: em alguns municípios da tríplice fronteira, Flávio chegou a obter 70% dos votos válidos no segundo turno, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Outros políticos e ex-integrantes do governo Bolsonaro também deixaram o Brasil pela região. A ex-deputada Carla Zambelli e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, viajaram de carro até Foz. Zambelli cruzou a fronteira com a Argentina e seguiu para os Estados Unidos e, depois, para a Itália. Vasques foi preso no aeroporto de Assunção, no Paraguai, quando tentava embarcar para El Salvador; três dias depois, sua tornozeleira eletrônica foi encontrada na rodoviária de Ciudad del Este, cidade paraguaia vizinha a Foz.
A investigação sobre a saída de Flávio ainda busca esclarecer como ele chegou a Foz, quem o ajudou e quais meios de transporte foram usados. Na cidade, apoiadores mantêm vínculos políticos e redes de contatos ligadas ao bolsonarismo, embora o ponto de apoio chamado QG 100% Bolsonaro, montado durante a campanha, tenha sido pichado na sexta-feira (30).