Klabin prevê alta para demanda e preços do kraftliner
A empresa relaciona a perspectiva favorável ao fechamento de fábricas de papel para embalagens nos Estados Unidos, que retirou cerca de 4 milhões de toneladas do mercado.
Resumo em 30 segundos
A Klabin espera aumento da demanda, das vendas e dos preços do kraftliner nos próximos meses, em meio à redução da capacidade de produção nos Estados Unidos. Para os demais mercados, a projeção é de estabilidade. No terceiro trimestre, a receita com kraftliner caiu 7%, afetada por menor volume vendido.
A Klabin vê perspectivas neutras para a maioria dos mercados em que atua nos próximos meses, mas avalia que o kraftliner deve ter demanda, vendas e preços em alta. A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira (29) pelo presidente da companhia, Cristiano Teixeira, durante teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre.
Kraftliner é um tipo de papel produzido com celulose de fibra longa e usado na fabricação de embalagens. A Klabin atribui a perspectiva favorável ao fechamento de fábricas de papel para embalagens, conhecido como “container board”, nos Estados Unidos. Desde o ano passado, cerca de 4 milhões de toneladas de capacidade foram retiradas do mercado, segundo a estimativa citada pela empresa.
Teixeira afirmou que a redução da oferta já influencia os preços e que a escassez nos Estados Unidos pode se intensificar se o consumo e a demanda se recuperarem. O executivo também destacou que o kraftliner tem uma diferença de preço em relação a outros tipos de papel para embalagens.
A receita da Klabin com kraftliner caiu 7% no terceiro trimestre, para R$ 581 milhões. A empresa relacionou a redução à queda no volume vendido, afetado por uma parada programada para manutenção na unidade de Otacílio Costa, em Santa Catarina, e por restrições logísticas.
Nos demais negócios, a companhia projeta estabilidade para demanda, volume de vendas e preços. A previsão inclui fibras curta e longa, cartões, papelão ondulado e sacos industriais. No terceiro trimestre, a receita com fibras avançou 6%, para R$ 1,5 bilhão, com apoio da alta de 18% no preço médio em dólares da fibra curta. A empresa espera recuperação gradual dos preços dessa fibra, mas estabilidade na demanda.
A receita de cartões subiu 10%, para R$ 1,3 bilhão. O resultado foi influenciado pelo início da operação da máquina de papel 28 do projeto Puma II, em Ortigueira, no Paraná, e pelo crescimento de 23% nos embarques ao exterior.
No segmento de embalagens, a receita de papelão ondulado ficou estável em R$ 1,7 bilhão. Reajustes de preços compensaram a diminuição do volume vendido. Já os sacos industriais registraram queda de 10% nas vendas e de 7% na receita, em meio a barreiras tarifárias nas exportações. Para esses dois negócios, Teixeira também prevê estabilidade nos próximos meses.
A diretora financeira, Gabriela Woge, disse que o El Niño deve continuar pressionando os custos no quarto trimestre e no primeiro trimestre do próximo ano. A empresa também espera que o aumento dos fretes e dos insumos relacionado a conflitos geopolíticos persista ao longo do próximo ano.
A preparação para os efeitos climáticos e a alta de fretes e insumos responderam, juntas, por quase metade do aumento anual dos custos de produção, transporte e venda no terceiro trimestre. Nos nove meses encerrados em setembro, o custo caixa total médio por tonelada chegou a R$ 3,34 mil, acima da faixa de R$ 3,2 mil a R$ 3,3 mil estabelecida pela empresa como meta para o ano.
Teixeira afirmou que as chuvas intensas dificultam as operações, mas que o planejamento prévio evita risco de falta de madeira nas fábricas. No Paraná, choveu cerca de 350 milímetros em setembro e 400 milímetros em outubro; novembro já aponta tendência semelhante, segundo o executivo. A Klabin prevê um quarto trimestre pressionado pelo clima, mas sem paradas de máquinas.