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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Kim Jong-un aparece em fotos após rumores de morte sem confirmação

As imagens o mostram em uma exposição de roupas e calçados em Pyongyang, mas não há confirmação de quando foram feitas nem de que os rumores sejam verdadeiros.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Kim Jong-un visita uma exposição de roupas e calçados acompanhado da filha e de autoridades. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Kim Jong-un visita uma exposição de roupas e calçados acompanhado da filha e de autoridades.
Resumo em 30 segundos

A imprensa estatal norte-coreana divulgou imagens de Kim Jong-un em uma exposição em Pyongyang, acompanhado da filha e de autoridades. As fotos foram publicadas após um dissidente chinês afirmar, sem apresentar provas, que o líder havia morrido. A inteligência sul-coreana disse não ter informações que confirmem o relato.

A imprensa estatal da Coreia do Norte publicou nesta terça-feira imagens de Kim Jong-un em uma exposição de roupas e calçados em Pyongyang, acompanhado da filha, Kim Ju-ae, e de autoridades do governo. As fotos foram divulgadas depois que o dissidente chinês Wanjun Xie afirmou, sem apresentar provas, que o líder havia sofrido uma hemorragia cerebral, sido levado a um hospital em Pequim e morrido.

As imagens mostram Kim examinando produtos expostos, mas não é possível confirmar quando foram feitas. A agência estatal KCNA e o jornal Rodong Sinmun noticiaram a visita. O regime não comentou os rumores sobre a saúde do líder.

Na cobertura do evento, a KCNA afirmou que a exposição demonstrava o avanço da indústria leve e defendeu a produção de roupas nacionais com características próprias. A imprensa estatal costuma divulgar as atividades públicas de Kim, mas não funciona como veículo independente de informação: é controlada pelo governo e também serve à comunicação oficial do regime.

Xie se identifica como presidente do Partido Democrático Chinês, organização proibida na China, e vive nos Estados Unidos. Ele alegou que Kim teria sido transferido para Pequim por falta de equipamentos médicos na Coreia do Norte e que seu corpo teria sido levado de volta ao país em segredo. Xie já havia divulgado afirmações não verificadas sobre a morte do presidente chinês, Xi Jinping.

As autoridades de inteligência sul-coreanas disseram à agência Yonhap que não tinham recebido informações que confirmassem os relatos. Também não foram identificados sinais de uma crise repentina, como reforço da segurança chinesa na fronteira ou aumento de atividade nas missões diplomáticas norte-coreanas. Essas movimentações poderiam ser esperadas diante de uma instabilidade de grandes proporções, embora sua ausência, por si só, não prove que um rumor seja falso.

A recorrência de especulações sobre a morte de Kim é alimentada pela dificuldade de obter informações confiáveis sobre a Coreia do Norte, um dos países mais fechados do mundo. O acesso à internet e às redes sociais estrangeiras é muito restrito, e apenas um círculo pequeno tem contato regular com o líder. Até os serviços de inteligência enfrentam obstáculos para confirmar notícias sobre a cúpula do regime.

A incerteza sobre quem sucederia Kim também contribui para a atenção dada a qualquer rumor de doença. A família governa o país há três gerações, mas a transição atual não está definida publicamente. Kim Ju-ae aparece cada vez mais em eventos importantes e exposições militares, e a inteligência sul-coreana avalia que o pai pode estar preparando a filha para sucedê-lo. Ela é estimada em 13 anos, não foi formalmente indicada como herdeira e seria a primeira mulher a liderar o país.

A sucessão anterior foi marcada por preparativos distintos. Kim Il-sung, fundador do regime, passou décadas preparando o filho Kim Jong-il para assumir o poder. Já Kim Jong-un foi promovido rapidamente depois que o pai sofreu um acidente vascular cerebral em 2008. Quando Kim Jong-il morreu, em 2011, Kim Jong-un já havia sido apresentado publicamente como sucessor, mas ainda precisou consolidar sua autoridade.

Rumores semelhantes já circularam em outras ocasiões. Em 2020, um desertor norte-coreano disse ter “99% de certeza” de que Kim havia morrido depois de uma cirurgia cardiovascular; pouco depois, o líder reapareceu em público. Em 2014, após cerca de 40 dias sem aparecer na imprensa estatal, especulações sobre sua saúde e uma possível disputa de poder também se espalharam. Quando voltou, Kim usava uma bengala, e a inteligência sul-coreana afirmou que ele havia passado por uma cirurgia no tornozelo.

As preocupações com a saúde do líder têm como pano de fundo o fato de ele estar acima do peso, fumar e ter histórico familiar de doenças cardiovasculares. Esses fatores não confirmam os rumores atuais, mas ajudam a explicar por que alegações sobre sua condição física costumam atrair atenção. Uma crise de liderança teria implicações para a estabilidade interna, para os países vizinhos e para o controle do arsenal nuclear norte-coreano. A China e a Coreia do Sul fazem fronteira com o país, e os Estados Unidos mantêm cerca de 28 mil soldados em território sul-coreano.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo

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