Pular para o conteúdo
Sábado, 17 de outubro de 2026

Pacto entre Rússia e Coreia do Norte fortalece laços além da guerra

Pyongyang envia soldados e trabalhadores à Rússia e recebe dinheiro, tecnologia e apoio diplomático, em uma parceria que analistas veem como duradoura.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Ponte rodoviária sobre o rio Tumen, na fronteira entre Rússia e Coreia do Norte. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Ponte rodoviária sobre o rio Tumen, na fronteira entre Rússia e Coreia do Norte.
Resumo em 30 segundos

A cooperação entre Rússia e Coreia do Norte cresceu durante a guerra na Ucrânia e pode continuar depois do conflito. Pyongyang fornece munição, soldados e trabalhadores; em troca, obtém recursos financeiros, experiência militar e apoio diplomático. Um pacto assinado em 2024 prevê defesa mútua, e uma nova ponte deve facilitar o trânsito entre os países.

Rússia e Coreia do Norte ampliaram a cooperação militar e econômica durante a guerra na Ucrânia, e analistas avaliam que a parceria deve continuar mesmo depois do conflito. O pacto firmado em 2024 prevê defesa mútua, enquanto Pyongyang fornece munição, soldados e trabalhadores à Rússia e recebe recursos financeiros, experiência militar e apoio diplomático.

Estimativas da Ucrânia e da Coreia do Sul indicam que a Coreia do Norte enviou entre 14 mil e 16 mil soldados de combate à Rússia desde o fim de 2024. Em 28 de setembro, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que mais de 8 mil norte-coreanos estavam em território russo e outros 10 mil eram selecionados para treinamento e possível envio.

A presença de trabalhadores norte-coreanos também pode se tornar uma parte duradoura do vínculo. Yeji Kim, assessora para assuntos da Coreia do Norte na Global Rights Compliance, organização de direitos humanos sediada em Haia, estima que entre 30 mil e 50 mil estejam trabalhando atualmente na Rússia. Segundo observadores de direitos humanos citados no relato, eles atuam sob supervisão rigorosa em obras, fazendas e fábricas.

A necessidade russa de mão de obra tende a persistir mesmo se os combates terminarem. Kim afirmou que o país pode enfrentar de cinco a dez anos de escassez sistemática de trabalhadores. Uma estimativa da inteligência britânica contabilizou 1,5 milhão de baixas russas desde fevereiro de 2022, incluindo meio milhão de mortes; a BBC estimou entre 6 mil e 7 mil baixas norte-coreanas, com até 2,3 mil mortos.

Em troca do apoio, Pyongyang recebe moeda estrangeira, conhecimento militar e experiência de combate, além de maior espaço diplomático. Um relatório de março do Instituto de Estratégia de Segurança Nacional, sediado em Seul, calculou que o apoio militar norte-coreano à Rússia gerou entre US$ 7,7 bilhões e US$ 14,4 bilhões em dois anos. A Equipe Multilateral de Monitoramento de Sanções (MSMT, na sigla em inglês) estima que cada trabalhador receba cerca de US$ 7.500 anuais, quase todo o valor retornando à Coreia do Norte.

A parceria também enfraquece as restrições internacionais a Pyongyang. Moscou bloqueou novas medidas das Nações Unidas contra o país, em contraste com o papel que teve na construção do regime de sanções. A mudança reduz o isolamento diplomático norte-coreano e, segundo analistas, aproxima os dois governos para além da aliança tradicional de Pyongyang com a China.

O tratado de parceria estratégica foi assinado em 2024 e inclui um compromisso de defesa mútua. Na prática, esse tipo de cláusula prevê assistência entre os países em caso de agressão, embora os detalhes de como ela seria aplicada não tenham sido especificados no relato. Em 7 de setembro, uma nova ponte rodoviária sobre o rio Tumen, na fronteira entre os países, foi inaugurada e deve facilitar o trânsito de pessoas, mercadorias e equipamentos militares.

O presidente russo, Vladimir Putin, e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, têm reforçado publicamente a aproximação. Em mensagem de aniversário enviada a Putin em 7 de outubro, Kim classificou o fortalecimento da aliança como uma “opção inabalável” e chamou a relação com Moscou de prioridade máxima. Em agosto, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse que os dois países trabalhavam para estabelecer uma “nova e justa ordem mundial”.

A guerra também aproximou as economias militares dos dois países. Uma fonte com conhecimento do pensamento do Kremlin afirmou que a Rússia encontrou na Coreia do Norte um fornecedor de armas e um complexo industrial militar capaz de apoiar a reconstrução de seus arsenais. A mesma fonte disse que a indústria norte-coreana poderia ser usada por Moscou por um longo período.

A cooperação pode ainda reduzir o interesse de Pyongyang em negociar com os Estados Unidos. Stephen Biegun, ex-representante especial norte-americano para a Coreia do Norte, avaliou que dinheiro, tecnologia e alívio das sanções obtidos por meio de Moscou diminuem a disposição de Kim para conversas que possam comprometer a relação com a Rússia. Isso ocorre enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, sinaliza interesse em um novo encontro com o líder norte-coreano.

O vínculo entre Moscou e Pyongyang já passou por diferentes fases desde a fundação da Coreia do Norte, em 1948. Hoje, segundo o historiador Fyodor Tertitskiy, da Universidade da Coreia, a aproximação é movida principalmente pela necessidade russa de obter armas e mão de obra. Diplomatas e analistas alertam que a cooperação pode continuar além dos governos atuais e afetar a segurança tanto da Europa quanto do Leste Asiático.

Fontes: Valor Econômico

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também