Donald Trump pede que Kimberly Guilfoyle deixe embaixada na Grécia
A Casa Branca confirmou o pedido, mas o Departamento de Estado não informou se a embaixadora renunciou; ela contesta as acusações de pagamentos e favores.
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Donald Trump pediu que Kimberly Guilfoyle deixe o cargo de embaixadora dos Estados Unidos na Grécia após denúncias de que teria solicitado dinheiro e presentes em troca de acesso e ajuda junto ao governo. A Casa Branca confirmou o pedido, mas o Departamento de Estado não informou se ela renunciou. Guilfoyle e seus assessores contestam as acusações.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta terça-feira que Kimberly Guilfoyle deixe o cargo de embaixadora do país na Grécia, após denúncias de que ela teria solicitado pagamentos e presentes em troca de acesso e ajuda junto ao governo. A Casa Branca confirmou o pedido, mas o Departamento de Estado não informou se Guilfoyle renunciou; ela não se pronunciou.
“Pedimos à embaixadora Guilfoyle que renunciasse”, disse a porta-voz da Casa Branca, Katie Zacharia, em entrevista coletiva. Zacharia afirmou que Guilfoyle foi “um membro valioso da equipe” e desejou sucesso a ela. A saída já era considerada provável em Washington, em meio à repercussão das acusações.
Uma das denúncias é de que, em julho de 2025, durante o processo de confirmação de sua indicação pelo Congresso, Guilfoyle pediu a Eric Deters, empresário e apoiador de Trump, que pagasse uma fatura de cartão American Express de US$ 100 mil. Segundo mensagens atribuídas a ela, a cobrança seria uma forma de evitar que a transferência aparecesse em registros financeiros.
“Não vai aparecer em lugar nenhum se você transferir o dinheiro para a American Express”, escreveu Guilfoyle em uma mensagem no Signal, em 3 de julho de 2025. A cobrança teria sido repetida nos dias seguintes. Deters disse que não tinha o valor e que a operação poderia prejudicar seu casamento.
O empresário afirmou que a ajuda seria uma troca de favores: em contrapartida ao pagamento, Guilfoyle teria prometido auxiliá-lo a obter apoio do governo para questões fiscais e jurídicas. Os dois se conheceram em 2020, quando Deters organizava eventos negacionistas sobre a Covid-19 e a convidou para falar. Guilfoyle foi noiva de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente; o relacionamento terminou em 2024.
Deters negou ter pago a quantia. “Infelizmente para Kimberly Guilfoyle, naquela época, naquele momento específico, eu não tinha 100 mil dólares sobrando para dar a ela; caso contrário, eu teria sido estúpido o suficiente para fazer isso”, disse à CBS News. Guilfoyle e seus assessores contestaram as acusações e a autenticidade das mensagens apresentadas, sustentaram que Deters lhe devia dinheiro e afirmaram que ela agiu de acordo com as regras do funcionalismo público.
Outras denúncias dizem respeito às relações de Guilfoyle com empresários do setor de energia dos Bálcãs, incluindo jantares, recepções e viagens em jatos particulares. Também foram levantadas questões sobre sua proximidade com um lobista de uma empresa grega de construção civil e sobre a possibilidade de uma embaixadora dos Estados Unidos promover interesses comerciais de outro país.
A repercussão aumentou a insatisfação dentro do governo Trump a menos de um mês das eleições legislativas. O secretário de Estado, Marco Rubio, encontrou-se com Guilfoyle na semana em que as denúncias vieram a público. Embora tenha questionado os relatos em declarações públicas, sua reação nos bastidores foi descrita como irritada.
O vice-presidente JD Vance afirmou que não gosta de ver alguém “vendendo acesso a outra autoridade do governo”, mas ressalvou que não podia confirmar se o caso correspondia à descrição das acusações. Na segunda-feira, ao ser questionado sobre uma possível demissão, Trump disse que o governo analisava a situação e não estava satisfeito.