Justiça investiga áudio sobre adesivos em ônibus de Salvador
A gravação atribuída ao Sindicato dos Rodoviários descreve uma articulação no segundo turno; a relação com os ônibus parados ainda é investigada.
Resumo em 30 segundos
Uma gravação atribuída ao Sindicato dos Rodoviários de Salvador descreve uma articulação para colocar adesivos eleitorais nos ônibus que fossem circular no segundo turno presidencial. A prefeitura disse que veículos ficaram retidos para retirar o material. O Procon encontrou 944 ônibus parados, a maioria sem adesivos, e órgãos públicos apuram responsabilidades.
A Justiça e órgãos de fiscalização investigam uma gravação atribuída ao Sindicato dos Rodoviários de Salvador que descreve uma articulação para colocar adesivos eleitorais em ônibus do transporte coletivo durante o segundo turno das eleições presidenciais. O episódio ocorreu em Salvador, no dia da votação, quando passageiros relataram falta de veículos nas ruas e centenas de ônibus foram encontrados parados em garagens.
No áudio, um interlocutor orienta integrantes de uma central sindical a acompanhar a saída dos ônibus e identificar, com os operadores, quais veículos seriam liberados para circular. Como não haveria adesivos suficientes para toda a frota, a recomendação seria concentrar a distribuição nos coletivos que fossem às ruas e colocar um adesivo na parte dianteira de cada um.
A legislação eleitoral proíbe propaganda em veículos que prestam serviços públicos, ao contrário do que ocorre com veículos particulares, nos quais há regras específicas para o uso de adesivos. A restrição busca impedir que estruturas usadas na prestação de serviços essenciais sejam vinculadas a candidaturas e preservar condições equilibradas na disputa eleitoral.
A Prefeitura de Salvador atribuiu a redução da frota à necessidade de retirar os adesivos antes de liberar os ônibus. O prefeito Bruno Reis disse que os veículos ficaram retidos nas garagens para a remoção do material e negou ter ordenado a diminuição do serviço. Mais tarde, segundo a gestão municipal, a prefeitura determinou que os coletivos fossem liberados mesmo com os adesivos, para evitar uma piora no transporte.
A prefeitura atribuiu a confusão à atuação de representantes sindicais. Já uma fiscalização do Procon encontrou 944 ônibus parados nas garagens das concessionárias; a maioria, porém, não tinha adesivos eleitorais. O dado integra a apuração sobre a quantidade de veículos fora de circulação e sobre as razões da redução do serviço.
No dia da eleição, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a retomada imediata da frota total e ordenou a prisão do secretário municipal de Mobilidade. A ordem de prisão foi revogada dias depois. O Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Polícia Civil também foram acionados para investigar possíveis crimes eleitorais e apurar eventual responsabilidade do prefeito, de secretários e de sócios das empresas de ônibus.
A gravação, por si só, não estabelece quem organizou a colocação dos adesivos nem a relação entre a iniciativa descrita e os ônibus que ficaram parados. As investigações devem esclarecer as responsabilidades e as circunstâncias da operação do transporte durante a votação.