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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Justiça investiga áudio sobre adesivos em ônibus de Salvador

A gravação atribuída ao Sindicato dos Rodoviários descreve uma articulação no segundo turno; a relação com os ônibus parados ainda é investigada.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Ônibus urbanos estacionados em uma garagem, alguns com adesivos genéricos na parte dianteira. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Ônibus urbanos estacionados em uma garagem, alguns com adesivos genéricos na parte dianteira.
Resumo em 30 segundos

Uma gravação atribuída ao Sindicato dos Rodoviários de Salvador descreve uma articulação para colocar adesivos eleitorais nos ônibus que fossem circular no segundo turno presidencial. A prefeitura disse que veículos ficaram retidos para retirar o material. O Procon encontrou 944 ônibus parados, a maioria sem adesivos, e órgãos públicos apuram responsabilidades.

A Justiça e órgãos de fiscalização investigam uma gravação atribuída ao Sindicato dos Rodoviários de Salvador que descreve uma articulação para colocar adesivos eleitorais em ônibus do transporte coletivo durante o segundo turno das eleições presidenciais. O episódio ocorreu em Salvador, no dia da votação, quando passageiros relataram falta de veículos nas ruas e centenas de ônibus foram encontrados parados em garagens.

No áudio, um interlocutor orienta integrantes de uma central sindical a acompanhar a saída dos ônibus e identificar, com os operadores, quais veículos seriam liberados para circular. Como não haveria adesivos suficientes para toda a frota, a recomendação seria concentrar a distribuição nos coletivos que fossem às ruas e colocar um adesivo na parte dianteira de cada um.

A legislação eleitoral proíbe propaganda em veículos que prestam serviços públicos, ao contrário do que ocorre com veículos particulares, nos quais há regras específicas para o uso de adesivos. A restrição busca impedir que estruturas usadas na prestação de serviços essenciais sejam vinculadas a candidaturas e preservar condições equilibradas na disputa eleitoral.

A Prefeitura de Salvador atribuiu a redução da frota à necessidade de retirar os adesivos antes de liberar os ônibus. O prefeito Bruno Reis disse que os veículos ficaram retidos nas garagens para a remoção do material e negou ter ordenado a diminuição do serviço. Mais tarde, segundo a gestão municipal, a prefeitura determinou que os coletivos fossem liberados mesmo com os adesivos, para evitar uma piora no transporte.

A prefeitura atribuiu a confusão à atuação de representantes sindicais. Já uma fiscalização do Procon encontrou 944 ônibus parados nas garagens das concessionárias; a maioria, porém, não tinha adesivos eleitorais. O dado integra a apuração sobre a quantidade de veículos fora de circulação e sobre as razões da redução do serviço.

No dia da eleição, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a retomada imediata da frota total e ordenou a prisão do secretário municipal de Mobilidade. A ordem de prisão foi revogada dias depois. O Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Polícia Civil também foram acionados para investigar possíveis crimes eleitorais e apurar eventual responsabilidade do prefeito, de secretários e de sócios das empresas de ônibus.

A gravação, por si só, não estabelece quem organizou a colocação dos adesivos nem a relação entre a iniciativa descrita e os ônibus que ficaram parados. As investigações devem esclarecer as responsabilidades e as circunstâncias da operação do transporte durante a votação.

Fontes: Gazeta do Povo

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