Joshua Wong recebe mais dez anos de prisão em Hong Kong
A condenação por conluio com forças estrangeiras, reduzida após sua confissão de culpa, adia a libertação prevista para janeiro.
Resumo em 30 segundos
Um tribunal de Hong Kong impôs mais dez anos de prisão a Joshua Wong por conluio com forças estrangeiras, com base na lei de segurança nacional. A pena inicial considerada adequada foi de 13 anos, reduzida após a confissão de culpa. Wong já cumpria uma condenação anterior por subversão.
Um tribunal de Hong Kong condenou nesta quinta-feira (5) o ativista pró-democracia Joshua Wong a mais dez anos de prisão por conluio com forças estrangeiras. A pena foi imposta com base na lei de segurança nacional aplicada no território e adia a libertação que era esperada para janeiro, após o cumprimento de uma condenação anterior por subversão.
Wong, que completou 30 anos no mês passado, declarou-se culpado em setembro. O tribunal considerou que a pena inicial adequada seria de 13 anos, mas reduziu o período para dez em razão da confissão. Ele poderia receber prisão perpétua, segundo o juiz William Tam, porque o delito foi classificado como grave.
A nova acusação foi apresentada em junho de 2025. As autoridades atribuíram a Wong a solicitação de apoio de outros países e entidades para impor sanções contra a China e Hong Kong. O ativista já cumpria quatro anos e oito meses de prisão por subversão e, somadas as detenções anteriores, passou quase seis anos atrás das grades.
A lei de segurança nacional foi imposta por Pequim em Hong Kong em 2020. A legislação abrange crimes como subversão e conluio com forças estrangeiras; as autoridades afirmam que ela protege a segurança e a estabilidade, enquanto críticos dizem que tem sido usada para restringir a oposição. Depois de sua aplicação, grupos pró-democracia se dissolveram e ativistas deixaram o território.
Wong ganhou projeção durante os protestos de 2014, conhecidos como Movimento dos Guarda-Chuvas. Em 2016, promoveu uma iniciativa que permitiria ao presidente dos Estados Unidos impor sanções por violações de direitos humanos em Hong Kong. Três anos depois, integrou uma delegação que viajou aos EUA para defender o projeto, posteriormente aprovado, enquanto a cidade era palco de grandes manifestações pró-democracia.
As autoridades também apontaram o ex-líder estudantil Nathan Law, que vive no exílio e é procurado, como participante da conspiração. O magnata Jimmy Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, recebeu em fevereiro uma condenação de 20 anos com base na mesma lei.
Em carta ao tribunal, Wong disse que esperava deixar a prisão em 2027, mas que a nova acusação o fez sentir que havia voltado ao ponto de partida. Ele escreveu ainda que os anos preso foram as “lições mais profundas” de sua vida e que o futuro não seria definido pelo passado.
O consulado dos Estados Unidos em Hong Kong condenou a sentença e afirmou que Pequim está disposta a ir a extremos para silenciar defensores das liberdades fundamentais. Pequim respondeu que os envolvidos deveriam respeitar a soberania chinesa e o sistema jurídico de Hong Kong, e parar de fazer comentários sobre julgamentos no território.
A Human Rights Watch classificou a pena como “cruel e injusta” e pediu sanções direcionadas contra autoridades responsáveis pela repressão. O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, disse que Wong demonstrava “desprezo absoluto pela lei”. O governo de Taiwan também criticou o uso de instrumentos autoritários para levar adiante o caso.
Steve Tsang, diretor do Instituto da China da Universidade SOAS de Londres, avaliou que Pequim não pretende permitir o retorno à situação mais flexível anterior a 2019. Wong agradeceu aos apoiadores ao deixar o tribunal; alguns choraram e disseram que aguardariam sua libertação.
Para entender
- Lei de segurança nacional de Hong Kong
- Pequim impôs a legislação ao território em 2020. Ela prevê crimes como subversão e conluio com forças estrangeiras. Autoridades chinesas dizem que a lei protege a segurança e a estabilidade; críticos afirmam que tem sido usada para restringir a oposição.