Jaxa prevê lançar missão para coletar amostras da lua Phobos
A sonda MMX deve chegar a Marte em agosto de 2027 e, após estudar Phobos, recolher material em 2030 para trazê-lo à Terra em 2031.
Resumo em 30 segundos
A Jaxa prevê lançar a missão MMX nesta segunda-feira, 19 de outubro, para estudar Phobos e coletar amostras da lua marciana. A sonda deve chegar a Marte em 2027, e um módulo fará a coleta em 2030. A cápsula com o material tem previsão de pousar de paraquedas na Austrália em 2031.
A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa) prevê lançar nesta segunda-feira (19) a missão Exploração das Luas de Marte (MMX), que viajará até o planeta e terá como foco Phobos, a maior de suas duas luas. A sonda partirá do Centro Espacial de Tanegashima, no sul do Japão, a bordo de um foguete H3, para uma jornada que deve durar cinco anos e terminar com a entrega de amostras à Terra.
A espaçonave não pousará em Marte. Ela estudará Phobos e, em 2030, enviará um módulo para recolher solo e pequenos fragmentos rochosos da superfície. A previsão é que a cápsula com o material chegue à Terra em 2031 e pouse de paraquedas na Austrália; depois, será levada ao Japão para análise.
O objetivo científico é investigar como Phobos e Deimos, a lua menor de Marte, se formaram. Uma hipótese é que as duas sejam asteroides capturados pela gravidade do planeta. Outra propõe que tenham se originado de material lançado ao espaço após um asteroide atingir Marte, que depois se agrupou e formou os satélites. A composição química de Phobos poderá ajudar a avaliar essas explicações.
A MMX é conduzida pela Jaxa com a colaboração dos Estados Unidos, da França, da Alemanha e da Agência Espacial Europeia (ESA). Além de estudar as luas, a missão pretende contribuir para o conhecimento sobre a evolução de Marte e sobre o ambiente espacial ao redor do planeta.
Depois do lançamento, a viagem até Marte deve levar quase um ano. A chegada está prevista para agosto de 2027. A sonda primeiro orbitará Marte e, cerca de um mês mais tarde, entrará em órbita de Phobos.
A espaçonave reúne três módulos. O de propulsão permitirá colocá-la em órbita marciana; o de exploração levará os equipamentos de pouso e coleta; e o de retorno transportará a amostra de volta à Terra. A missão também testará a comunicação entre a sonda e uma estação terrestre desenvolvida para o projeto.
Treze instrumentos científicos ajudarão a mapear e analisar Phobos. As câmeras de alta resolução Tengoo e Orochi farão imagens da superfície, enquanto um altímetro a laser, chamado Lidar, medirá distâncias para produzir informações sobre o relevo. O instrumento usa pulsos de laser para calcular a distância entre a espaçonave e diferentes pontos da lua.
Outros aparelhos vão examinar a composição do satélite. O espectrógrafo infravermelho MIRS fará um levantamento dos minerais, e o detector Megane medirá elementos químicos por meio de raios gama e nêutrons. A sonda também recolherá dados sobre Deimos quando estiver mais distante. As observações serão usadas pelos controladores para escolher o local e as condições do pouso.
No início de 2029, um pequeno veículo robótico chamado Idefix deverá descer até Phobos a partir de uma altitude entre 40 e 100 metros. Desenvolvido pela Jaxa com a agência espacial francesa Cnes e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), o rover tem dimensões comparáveis às de um forno de micro-ondas. Depois de se endireitar, percorrerá a superfície por cerca de cem dias e usará sensores, entre eles um espectrômetro Raman e um radiômetro, para ajudar a selecionar o ponto de pouso do módulo de exploração.
A operação de coleta está planejada para 2030. O módulo deve permanecer na superfície por pouco mais de duas horas e poderá recolher material em um ou, possivelmente, dois locais. A possibilidade de obter amostras de pontos diferentes é importante para comparar a composição da lua.
A missão prevê duas técnicas de coleta. O C-sampler poderá retirar um núcleo de material a até dois centímetros de profundidade, menos exposto à radiação solar, que altera quimicamente as superfícies ao longo do tempo. Como alternativa, o P-sampler lançará um jato de nitrogênio para deslocar solo e pedras soltas até uma câmara. Esse sistema é uma opção de reserva e traz um pequeno risco de desequilibrar a espaçonave, devido à gravidade muito fraca de Phobos.
A lua tem cerca de 0,1% da força gravitacional da Terra. Essa condição exige métodos de coleta próprios: o jato de gás, por exemplo, pode afetar a estabilidade do módulo. A meta é trazer pelo menos dez gramas de material, embora a quantidade final dependa da operação na superfície.
Após a coleta, o módulo deixará Phobos e seguirá para a Terra. A câmara de amostras será ejetada durante a aproximação, atravessará a atmosfera e pousará de paraquedas na Austrália. O material poderá conter também partículas de Marte, pois Phobos orbita perto do planeta e pode recolher detritos lançados ao espaço por impactos de asteroides.
A Jaxa já realizou missões de retorno de amostras de asteroides com as sondas Hayabusa, entre 2003 e 2010, e Hayabusa 2, entre 2018 e 2020. A MMX também tentará avançar em uma tarefa que fracassou para a missão russa Phobos Grunt, lançada em 2011: embora tenha alcançado a órbita baixa da Terra, a sonda não conseguiu acionar os motores para seguir até Marte. A missão japonesa poderá, assim, trazer pela primeira vez à Terra amostras coletadas em uma lua marciana.
Para entender
- Phobos
- É a maior das duas luas de Marte e orbita muito perto do planeta. A baixa gravidade e a possibilidade de haver na superfície material expelido de Marte tornam a lua um alvo de estudo para investigar a origem dos satélites marcianos e a evolução do planeta.