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Sábado, 17 de outubro de 2026

Stellantis aponta risco a 90% dos empregos com carros montados por kits

Herlander Zola diz que a produção com kits importados exigiria apenas 10% dos cerca de 35 mil funcionários da empresa na América do Sul, em cenário hipotético.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Trabalhadores montam um veículo em uma linha de produção com peças e componentes ao redor. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Trabalhadores montam um veículo em uma linha de produção com peças e componentes ao redor.
Resumo em 30 segundos

O presidente da Stellantis para a América Latina, Herlander Zola, afirmou que a produção de veículos com kits importados poderia ameaçar até 90% dos empregos automotivos na região. A projeção considera a adoção integral desse modelo e não representa um anúncio de cortes. A discussão envolve também incentivos tributários e o alcance da produção local.

O presidente da Stellantis para a América Latina, Herlander Zola, afirmou que o modelo de produção de veículos com kits importados pode colocar em risco até 90% dos empregos automotivos na região. A declaração foi feita a jornalistas em São Paulo, em 7 de outubro, durante a discussão sobre a expansão de montadoras chinesas no Brasil e o volume de etapas industriais realizadas no país.

A estimativa considera a adoção integral do sistema de montagem parcial no exterior e finalização no mercado de destino. Nesse cenário, a Stellantis precisaria de apenas 10% dos cerca de 35 mil funcionários que mantém na América do Sul, segundo Zola. A projeção se refere ao modelo produtivo, não a um anúncio de corte de vagas pela empresa.

Há diferentes níveis de montagem por kits. No sistema SKD, sigla em inglês para “semi desmontado”, o veículo chega parcialmente montado e recebe no país as etapas finais. No CKD, ou “completamente desmontado”, as peças e conjuntos são enviados separados para montagem local. A quantidade de trabalho e de componentes produzidos no Brasil varia conforme as operações mantidas em cada fábrica.

A montagem final pode empregar trabalhadores em atividades como logística e controle de qualidade. Mas etapas industriais como estamparia, soldagem da carroceria e pintura, além da fabricação de componentes, exigem operações adicionais. Quando essas fases ficam concentradas no exterior, a unidade brasileira pode gerar menos empregos e demanda menor de fornecedores locais do que uma fábrica com produção mais abrangente.

A BYD já produziu mais de 100 mil veículos com kits importados em sua fábrica de Camaçari, na Bahia. O uso desse tipo de conjunto também está relacionado a regras tributárias: em junho, o governo renovou por seis meses, a partir de julho, uma cota de US$ 463 milhões para importação de veículos eletrificados desmontados ou semidesmontados com alíquota zero do Imposto de Importação.

A medida reduz o custo de entrada desses conjuntos e beneficia o modelo de produção utilizado pela BYD e por outras montadoras chinesas. Empresas com operações industriais mais extensas afirmam que a diferença de tratamento em relação à importação de carros prontos pode criar condições concorrenciais distintas, sobretudo se a montagem local não vier acompanhada de mais etapas produtivas. O governo, por sua vez, apresenta os incentivos como parte de uma estratégia para atrair investimentos e estimular a eletrificação.

A disputa industrial ocorre em meio à expansão das marcas chinesas e ao interesse crescente por veículos eletrificados no Brasil. A questão em debate é quanto dessa produção será efetivamente incorporado à indústria nacional, por meio de empregos, fornecedores e operações fabris, além da montagem final.

Fontes: Gazeta do Povo

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