Janja mantém influência nas decisões de Lula no quarto mandato
Aliados esperam que ela continue levando temas ao presidente e tenha voz na escolha de integrantes do gabinete e de ministros de algumas pastas.
Resumo em 30 segundos
Aliados de Lula esperam que Janja mantenha influência sobre decisões do presidente e a atuação do governo no quarto mandato. Ela deve continuar levando temas de interesse público ao marido e ser ouvida na escolha de integrantes do gabinete presidencial e de ministros de Mulheres, Cultura e Igualdade Racial. Sua atuação também recebeu críticas durante a campanha.
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, deve manter influência sobre as decisões de Luiz Inácio Lula da Silva e sobre a atuação do governo no quarto mandato do presidente, segundo aliados. Lula foi reeleito neste domingo (25), e integrantes do governo e do PT não veem sinais de que ele pretenda reduzir o espaço da mulher nos bastidores.
Congressistas, ministros e auxiliares descrevem Janja como uma interlocutora que leva ao presidente assuntos em evidência e ajuda a aproximá-lo de temas e públicos. Militante do PT desde a década de 1980, ela também deve contribuir com a presença de Lula nas redes sociais, depois de o presidente recorrer a vídeos feitos com o celular e a outros formatos digitais durante a campanha.
Aliados atribuem a Janja a participação na escolha de Anielle Franco para o Ministério da Igualdade Racial e de Margareth Menezes para o da Cultura. Também relacionam à primeira-dama a indicação de Márcio Tavares para a secretaria-executiva da Cultura. No Ministério do Esporte, sua insistência teria contribuído para manter Ana Moser no cargo em 2023, antes da entrada do deputado André Fufuca (PP-MA). Em 2022, ela também teria vetado Pedro Paulo (PSD-RJ) para o Ministério do Turismo.
A atuação de Janja, porém, já provocou críticas entre aliados. No primeiro turno da campanha, ela discursou em comícios, ajudou a organizar a agenda e selecionou quem poderia acompanhar Lula no palanque. Depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar aquela etapa com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula, integrantes da campanha reclamaram do papel da primeira-dama na interlocução com mulheres, especialmente evangélicas.
Dois dias após a votação, a ex-senadora Kátia Abreu, recém-filiada ao PT, recebeu aplausos ao defender “menos Janja e mais Alckmin” na reta final da campanha. A primeira-dama também foi criticada após comentar os efeitos do TikTok em um jantar oferecido pelo líder chinês Xi Jinping, em maio de 2025. Lula criticou o vazamento da conversa, e Janja adotou um perfil mais discreto por algumas semanas, segundo uma assessora.
Apesar das ressalvas, aliados esperam que Lula continue ouvindo a mulher e defendendo sua participação. Há expectativa no Palácio do Planalto de que nomes indicados por ela permaneçam em posições estratégicas e de que novos quadros sejam incorporados ao governo. Janja também deve ser consultada na escolha de integrantes do gabinete presidencial e de titulares das pastas de Mulheres, Cultura e Igualdade Racial.
O papel da primeira-dama ganhou respaldo administrativo em outubro de 2025, quando o governo publicou um decreto que colocou os serviços do Gabinete Pessoal da Presidência à disposição dela. O gabinete auxilia na organização da agenda e do cerimonial, cuida de correspondências e pronunciamentos e administra palácios e residências usados pelo presidente.
A influência de Janja também se manifesta na pauta pública. Lula atribui a ela informações que o levaram a se envolver no combate à violência contra a mulher, diante dos altos índices de feminicídio no país. Aliados avaliam que, mesmo com períodos de maior discrição após críticas, ela continuará levando temas de interesse público ao presidente e participando de decisões políticas.