Itaú fecha acordo para comprar startup de IA NeoSpace por R$ 2,9 bilhões
A operação prevê pagamento no fechamento e parcelas diferidas por cinco anos; a conclusão depende de aval do Cade e do Banco Central.
Resumo em 30 segundos
O Itaú Unibanco anunciou acordo para comprar todas as ações da NeoSpace A.I. Technologies por R$ 2,925 bilhões. A startup continuará com gestão e operação autônomas, sob a liderança de seu fundador, Bruno Pierobon. A conclusão depende de aprovações regulatórias, incluindo as do Cade e do Banco Central.
O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira, 26, um acordo para comprar todas as ações da NeoSpace A.I. Technologies, startup brasileira de inteligência artificial, por R$ 2,925 bilhões. A conclusão da operação depende de aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, além de outras condições previstas para o negócio.
O pagamento será dividido: uma parte será feita no fechamento da transação e o restante, de forma diferida ao longo de cinco anos, sujeito a condições. Até a conclusão da compra, a operação ainda precisa cumprir as etapas regulatórias estabelecidas.
A NeoSpace desenvolve modelos fundacionais de dados, sistemas de inteligência artificial treinados para reconhecer padrões em grandes conjuntos de informações e servir de base para diferentes aplicações. A empresa já presta serviços ao Itaú há quase dois anos, período em que desenvolveu modelos treinados com dados do banco para apoiar o uso de inteligência artificial generativa em produtos e serviços.
O Itaú informou que a aquisição pretende fortalecer suas capacidades próprias em inteligência artificial e dar continuidade à parceria. Entre as aplicações mencionadas pelo banco estão iniciativas de crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes — conhecido pela sigla CRM — e prevenção a fraudes.
A tecnologia da startup também deverá apoiar a evolução do ia.i, assistente de inteligência artificial generativa do banco. A proposta é ampliar a personalização das interações e oferecer respostas e soluções mais ajustadas às necessidades de cada cliente.
Em comunicado, o presidente-executivo do Itaú, Milton Maluhy Filho, afirmou que o banco busca participar da definição dos próximos rumos da indústria financeira global. Ele disse que a combinação entre tecnologia da NeoSpace, conhecimento financeiro e escala do Itaú pode ampliar a capacidade de desenvolver soluções para pessoas e empresas.
A NeoSpace manterá gestão e operação autônomas, e sua equipe continuará na empresa. O fundador da startup, Bruno Pierobon, seguirá como presidente-executivo, segundo as informações divulgadas sobre o acordo. A continuidade da equipe também permitirá a manutenção das atividades de pesquisa e desenvolvimento da companhia.
Modelos de inteligência artificial generativa produzem respostas e conteúdos a partir de instruções e dados, mas sua aplicação em serviços financeiros exige adaptação às tarefas e aos dados do setor. Com a aquisição, o Itaú busca ampliar o desenvolvimento de ferramentas próprias para áreas como análise de crédito e atendimento, enquanto a aprovação dos órgãos reguladores permanece como etapa necessária para a mudança de controle.