Índia reduz pobreza para 16,1% da população entre 2011 e 2023
Relatório do Banco Mundial estima que 496 milhões de pessoas superaram a linha de US$ 4,20 por dia, mas aponta desigualdade e desemprego juvenil.
Resumo em 30 segundos
A parcela da população indiana abaixo da linha de pobreza de US$ 4,20 por dia caiu de 57,7% para 16,1% entre 2011 e 2023, segundo o Banco Mundial. A pobreza extrema também recuou. Ainda assim, a desigualdade permanece elevada e 57% dos indianos pobres vivem em uma faixa entre Uttar Pradesh e Bengala Ocidental.
Cerca de 496 milhões de pessoas deixaram a pobreza na Índia entre 2011 e 2023, segundo um relatório do Banco Mundial publicado neste mês. A parcela da população que vivia com menos de US$ 4,20 por dia, linha usada para países de renda média-baixa, caiu de 57,7% para 16,1% no período. Mesmo com a redução, a pobreza e a desigualdade permanecem concentradas em determinadas regiões e grupos.
A pobreza extrema também recuou: a proporção de indianos com renda inferior a US$ 3 por dia passou de 27,1% para 2,6%. As duas linhas de pobreza medem a renda diária e servem como referências distintas; por isso, os percentuais não devem ser somados. Pelas estimativas do Banco Mundial, quase meio bilhão de pessoas ultrapassou o limite de US$ 4,20.
O relatório atribui a queda principalmente à expansão do consumo, ao aumento do emprego — sobretudo entre mulheres — e à ampliação de transferências sociais, como subsídios para alimentos. Entre 2017 e 2023, o número de pessoas empregadas cresceu cerca de 134 milhões.
O avanço, porém, não eliminou as diferenças de renda. Em 2023, a remuneração mediana dos 10% mais bem pagos era aproximadamente 13 vezes maior que a dos 10% com os menores rendimentos. O documento também registra alta no desemprego entre jovens: a taxa passou de 14,6% no trimestre de abril a junho do ano passado para 15,9% no mesmo período deste ano.
A redução da pobreza não ocorreu de maneira uniforme pelo país. Cerca de 57% dos indianos que ainda vivem abaixo da linha de US$ 4,20 estão concentrados em uma faixa contínua que vai de Uttar Pradesh, no norte, a Bengala Ocidental, no leste. Segundo o relatório, novas quedas nacionais dependerão cada vez mais da criação de empregos produtivos nesses estados.
O Banco Mundial projeta que a proporção da população abaixo dessa linha recue de 14,2% em 2026 para 12,1% em 2028, indicando um ritmo mais lento nos próximos anos. A instituição também elevou, no início deste mês, sua previsão de crescimento econômico da Índia para 7,1%, com base na expectativa de que indústria e serviços ajudem a compensar uma monção mais fraca e os preços elevados da energia.
O desempenho econômico e a queda da pobreza convivem, portanto, com desafios de emprego e distribuição de renda. O relatório aponta que a geração de trabalho produtivo nas áreas onde a pobreza está concentrada será importante para manter o avanço nos próximos anos.
Para entender
- Linha de pobreza
- O Banco Mundial usa limites de renda diária para estimar a pobreza. A linha de US$ 4,20 é referência para países de renda média-baixa; a de US$ 3 mede a pobreza extrema. São indicadores distintos, e seus percentuais não devem ser somados.