Ibovespa supera 200 mil pontos após resultado do primeiro turno
O índice chegou a 208.778 pontos, com alta de 5,55%, após Flávio Bolsonaro terminar à frente de Lula na votação de domingo.
Resumo em 30 segundos
O Ibovespa superou pela primeira vez os 200 mil pontos nos primeiros minutos do pregão de segunda-feira, após o resultado do primeiro turno da eleição presidencial. Às 10h17, o índice avançava 5,55%, para 208.778 pontos. Analistas relacionaram a alta à surpresa com o resultado e à composição do Congresso, majoritariamente de direita.
O Ibovespa ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos nos primeiros minutos do pregão desta segunda-feira (5), após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial, realizado no domingo (4). Às 10h17, o índice subia 5,55%, para 208.778 pontos.
A alta também superou o recorde intradiário anterior, de 199.354 pontos, registrado em 14 de abril. Na sexta-feira (2), último pregão antes da votação, a Bolsa havia fechado em 192.114 pontos, com valorização de 2,62%.
Analistas relacionaram o avanço à surpresa com o resultado eleitoral e à composição do Congresso Nacional, que terá maioria de direita. A expectativa de mudanças no cenário político e econômico a partir do próximo ano levou investidores a reverem os preços dos ativos. Movimentos fortes podem ocorrer quando o resultado das urnas diverge do que o mercado esperava, afirmou Vitor Miziara, sócio da Performa Ideias.
A configuração do Legislativo pode influenciar a capacidade de qualquer futuro governo de aprovar medidas. Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, apontou dois cenários: um eventual governo de Flávio Bolsonaro com apoio parlamentar para avançar sua agenda econômica ou um novo mandato de Lula, que exigiria maior esforço de articulação. Segundo Passos, partidos de centro devem continuar relevantes, sobretudo em votações que exigem maiorias qualificadas.
O economista Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos, afirmou que o mercado já considerava possível uma vitória de Bolsonaro, mas não esperava uma vantagem tão expressiva no primeiro turno. Entre as ações em destaque, ele citou papéis do Banco do Brasil e da Petrobras, duas empresas estatais.
Para os próximos movimentos, investidores devem acompanhar as alianças para o segundo turno, possíveis nomes para uma equipe econômica e as propostas dos candidatos sobre dívida pública e equilíbrio fiscal, segundo Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos.
Em relatório, o BTG Pactual avaliou que as ações brasileiras podem se valorizar se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno. Excluídas Petrobras e Vale, as empresas negociam a dez vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, patamar cerca de um desvio-padrão abaixo da média histórica. O banco estima potencial de alta de 11% a 20% em reais caso os preços retornem a níveis próximos da média da última década. Num cenário mais favorável, com o Ibovespa um desvio-padrão acima dessa média, a valorização poderia ficar entre 32% e 45%. Essas projeções dependem do resultado eleitoral e não significam que o índice já tenha alcançado tais patamares.