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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Grande São Paulo vira foco da disputa entre Lula e Flávio

No segundo turno de 25 de outubro, Flávio tenta ampliar vantagem na região, enquanto Lula busca recuperar apoio em cidades do antigo cinturão vermelho.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Multidão acompanha ato político na Avenida Paulista, em São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Multidão acompanha ato político na Avenida Paulista, em São Paulo.
Resumo em 30 segundos

Flávio Bolsonaro abriu vantagem sobre Lula em São Paulo no primeiro turno, e a diferença no estado superou a nacional. Na Grande São Paulo, Lula venceu em 13 das 38 cidades além da capital, ante 25 em 2022. As campanhas apostam em estratégias distintas para buscar votos na região antes do segundo turno.

A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, no primeiro turno, foi de 3,42 milhões de votos — superior à diferença entre os dois no resultado nacional. Com a votação marcada para domingo (25), a campanha de Flávio concentra esforços na Grande São Paulo, região que já foi conhecida como “cinturão vermelho” por sua tradição de apoio ao PT e que agora se tornou um foco da disputa pelo segundo turno.

No país, Flávio recebeu 56.104.503 votos, ou 47,03%, enquanto Lula teve 53.879.538, equivalentes a 45,16%. A diferença nacional foi de cerca de 2,22 milhões de votos. Em São Paulo, a vantagem do senador foi ainda maior, o que torna decisiva a tentativa de Lula de recuperar apoio na região metropolitana.

O chamado cinturão vermelho reúne municípios operários da Grande São Paulo, onde o sindicalismo que deu origem ao PT teve forte presença. A região metropolitana tem 39 cidades e cerca de 20,7 milhões de habitantes, segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram uma redução da votação petista em várias dessas cidades.

Lula venceu na capital paulista por 291,6 mil votos, com 46,58% contra 42,13% de Flávio. A margem foi de 4,4 pontos percentuais, menos da metade dos 9,5 pontos que separaram Lula de Jair Bolsonaro na cidade no primeiro turno de 2022. Nas outras 38 cidades metropolitanas, o presidente ficou à frente em 13; em 2022, havia vencido em 25.

No ABC, a vantagem de Lula caiu de 121 mil votos no primeiro turno de 2022 para 14 mil neste pleito. Em Santo André, Flávio venceu por 24,8 mil votos; quatro anos antes, Jair Bolsonaro havia superado Lula por 3,3 mil. São Bernardo do Campo, onde Lula construiu sua trajetória sindical, ainda deu vitória ao presidente, mas sua margem diminuiu de 54,5 mil para 22,8 mil votos.

Em Diadema, a diferença favorável a Lula passou de 60 mil para 35,8 mil votos. Em Mauá, única cidade do ABC com prefeitura comandada pelo PT, caiu de 24,6 mil para 6,2 mil. Fora da região, Flávio venceu em Osasco, onde Lula havia sido o mais votado em 2022, e abriu nove pontos de vantagem em Guarulhos. No Alto Tietê, o senador venceu em oito das dez cidades.

As campanhas adotaram estratégias distintas para buscar eleitores. Flávio tem recorrido a prefeitos, vereadores e parlamentares que apoiam sua candidatura. Lula aposta em sindicatos e movimentos sociais, bases tradicionais do PT na região. Na eleição estadual, Tarcísio de Freitas (Republicanos) reuniu 37 dos 39 prefeitos metropolitanos; os dois que ficaram de fora foram Marcelo Oliveira (PT), de Mauá, e Welington Formiga (PDT), de Cotia.

Em 5 de outubro, Flávio se reuniu em Brasília com Tarcísio e o deputado Nikolas Ferreira (PL) para discutir a campanha. Também tratou da estratégia com Rogério Marinho (PL-RN) e Guilherme Derrite (PP), senador eleito. Derrite afirmou que o trabalho inclui manter a base mobilizada, buscar partidos neutros no primeiro turno e identificar regiões onde a candidatura ainda pode ampliar votos. Sobre a Grande São Paulo, disse: “Antigamente era considerado 'cinturão vermelho', não é mais, graças ao trabalho que estamos fazendo em São Paulo”.

No domingo (11), Flávio almoçou com prefeitos e se reuniu com vereadores em São Paulo. O encontro foi organizado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), com a participação de Tarcísio, Derrite e André do Prado (PL), também senador eleito. Flávio afirmou às lideranças que “não tem nada resolvido”; Nunes pediu mobilização com distribuição de adesivos, bandeiraços e reativação de comitês.

Lula participou no mesmo dia da “Marcha pela democracia”, na Avenida Paulista, organizada por movimentos estudantis e sociais, torcidas organizadas e comunidades de fãs. No dia 14, o PT promoveu um encontro no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, com Fernando Haddad (PT) e Luiz Marinho. A disputa por apoio continuou na semana anterior à votação: Flávio reuniu apoiadores na Paulista no domingo (18), e a União Nacional dos Estudantes convocou para sábado (24) um ato em apoio a Lula, também na avenida.

Fontes: Gazeta do Povo

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