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Sábado, 31 de outubro de 2026

Governadores do Sul preveem ações climáticas sem metas claras

Os planos de Luciano Zucco, Sergio Moro e Jorginho Mello citam prevenção, infraestrutura e apoio rural, mas não detalham metas para as medidas.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Dique às margens de um rio no Sul do Brasil sob céu carregado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Dique às margens de um rio no Sul do Brasil sob céu carregado.
Resumo em 30 segundos

Os planos de governo dos futuros governadores do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina incluem ações para enfrentar eventos climáticos extremos. As propostas abrangem prevenção, monitoramento, obras e apoio a produtores rurais, mas não estabelecem metas nem apresentam um diagnóstico amplo dos riscos e das necessidades de cada estado.

Os governadores eleitos do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco, e do Paraná, Sergio Moro, e o reeleito de Santa Catarina, Jorginho Mello, incluíram ações relacionadas a eventos climáticos extremos em seus planos de governo. Os documentos, cadastrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não estabelecem metas para as propostas nem apresentam um diagnóstico amplo de riscos e necessidades nos estados.

Os três são filiados ao PL e assumem ou iniciam novo mandato em 2027. Entre os planos, o de Zucco é o único que relaciona explicitamente a intensificação de eventos extremos às mudanças climáticas e a evidências científicas. O texto defende preparar o estado para reduzir vulnerabilidades antes dos desastres, além de responder a eles.

A proposta para o Rio Grande do Sul dedica duas páginas e meia, em um documento de 107 páginas, à Defesa Civil e à resiliência climática. O plano prevê obras contra cheias, manutenção de diques, bombas e outras estruturas de proteção, além de investimentos em prevenção e na Defesa Civil. Não identifica intervenções específicas: afirma que as prioridades serão definidas com base em critérios técnicos e mapas de risco.

Entre as medidas previstas estão completar a rede de monitoramento hidrometeorológico, com radares e sensores, e ampliar os alertas para moradores de áreas de risco. O documento também propõe organizar estoques de itens essenciais e rotas alternativas de distribuição. Para a gestão da água e a recuperação ambiental, prevê concluir o Plano Estadual de Recursos Hídricos e restaurar áreas úmidas, matas ciliares, solos e planícies de inundação.

O desafio no estado foi evidenciado pelas chuvas torrenciais, enchentes e deslizamentos de abril e maio de 2024. A tragédia deixou 185 mortos e 23 desaparecidos e atingiu 478 dos 497 municípios gaúchos. Cerca de 2,3 milhões de pessoas, equivalentes a 21% da população estadual, foram afetadas.

A execução das ações também se relaciona aos recursos destinados à reconstrução. O Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) tem R$ 15,12 bilhões autorizados; desse total, R$ 10,2 bilhões foram empenhados e R$ 6,37 bilhões, pagos. Outros R$ 6,7 bilhões estão previstos no Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece).

O governador Eduardo Leite pediu ao governo federal, no dia 15, que o prazo para executar os recursos do Funrigs seja estendido de outubro de 2027 a dezembro de 2028. Dos 293 projetos autorizados, 75 foram concluídos, 139 estão em andamento e 79 ainda não começaram. O governo estadual informou que a prorrogação abrangeria iniciativas de habitação e requalificação urbana, reconstrução de pontes e estradas e instalação de radares.

No Paraná, o plano de Moro, com 91 páginas, promete ampliar a prevenção, a preparação e a resposta a eventos extremos, por meio de monitoramento, infraestrutura resiliente, integração entre instituições e apoio aos municípios. Também prevê casas novas e seguras para substituir moradias em áreas de risco, mas não apresenta números sobre essas áreas ou sobre as famílias afetadas.

A proposta foi elaborada após episódios como o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu no final do ano passado. Seis pessoas morreram e centenas ficaram feridas; ao menos 1.500 imóveis sofreram danos, e mais de 30% deles foram completamente destruídos. Para a agricultura, Moro promete crédito para infraestrutura de irrigação e medidas de apoio a produtores diante da seca.

O plano paranaense também propõe o Ecoinvest Paraná, mecanismo de financiamento de projetos sustentáveis que combinaria recursos públicos, crédito, fundos de investimento e capital privado. Em outra frente, Moro defende agilizar o licenciamento ambiental e reduzir prazos no Instituto Água e Terra (IAT), órgão estadual que concede autorizações. O texto não esclarece se haverá uma nova legislação; as regras aprovadas pelo governo atual são questionadas no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em Santa Catarina, o plano de 22 páginas de Jorginho Mello afirma que, durante o primeiro mandato, foram investidos mais de R$ 200 milhões no desassoreamento de rios. Para o próximo período, ele promete concluir reformas de barragens no Alto Vale e executar novas estruturas para prevenir cheias. O documento também prevê manter e ampliar o Mais Verde, que paga produtores rurais por serviços ambientais ligados à preservação de mata nativa.

Mello ainda propõe fortalecer o Financia Agro SC e o Água no Campo, com crédito sem juros para perfurar poços, instalar cisternas e captar e tratar água. A medida é apresentada como apoio a produtores de leite, grãos e carnes durante períodos de estiagem. No conjunto dos três planos, as propostas incluem prevenção, infraestrutura, monitoramento e apoio rural, mas não vêm acompanhadas de metas que permitam medir os resultados previstos.

Fontes: Folha de S.Paulo

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