General britânico pede debate sobre sacrifícios para a defesa
Roly Walker diz que o Reino Unido precisa discutir os riscos de guerra e os recursos necessários; alerta não anuncia convocação nem entrada em conflito.
Resumo em 30 segundos
O chefe do Estado-Maior do Exército britânico, Roly Walker, defendeu que líderes preparem a população para debater os custos e sacrifícios da defesa. Pesquisa aponta que metade dos britânicos não pegaria em armas pelo país, embora mais da metade apoie elevar os gastos militares. O orçamento deve ser apresentado em 28 de outubro.
O chefe do Estado-Maior do Exército britânico, general Sir Roly Walker, afirmou que o Reino Unido precisa preparar a população para discutir os custos e sacrifícios ligados à defesa. Ele falou a cerca de 700 militares da 1ª Divisão britânica, em Catterick Garrison, e disse que o país já não pode evitar a possibilidade de uma guerra.
Walker descreveu o cenário internacional como muito perigoso e defendeu que líderes políticos expliquem ao público quais são os riscos e o que poderá ser exigido da sociedade. Segundo ele, os cidadãos precisam compreender o papel das Forças Armadas e apoiar os militares em suas missões, inclusive no combate a um inimigo.
O general também dirigiu uma mensagem aos soldados mais jovens e menos experientes, sobre os quais recai grande parte do combate terrestre. Ele afirmou que, se o Reino Unido for chamado à guerra, a defesa nacional dependerá deles e o país poderá precisar de cada um.
As declarações ocorrem em meio à preocupação de que a guerra na Ucrânia se estenda a outros países europeus. Autoridades do continente dizem que a Rússia estaria planejando ataques, alegação negada por Moscou.
Uma pesquisa do Instituto Ipsos indica que metade dos britânicos não pegaria em armas pelo país em nenhuma circunstância. Ao mesmo tempo, mais da metade apoia o aumento dos gastos militares. Entre os favoráveis a mais recursos, 37% preferem que o dinheiro venha do remanejamento de verbas de outras áreas, enquanto 36% apoiam elevar impostos em geral.
O financiamento da defesa é um dos desafios do governo. Em setembro, o ministro da Defesa, Wes Streeting, disse que ampliar os investimentos exige escolhas e concessões. Ele rebateu críticas da direita afirmando que o país não se fortalece empobrecendo a população.
O então antecessor de Streeting na Defesa, John Healey, hoje ministro das Finanças, deve apresentar os planos de gastos no orçamento previsto para 28 de outubro. Outros altos oficiais também têm defendido maior atenção ao papel da sociedade diante de ameaças externas, entre eles o chefe do Estado-Maior da Defesa, marechal do ar Sir Rich Knighton.
O alerta de Walker não significa que o Reino Unido tenha anunciado uma convocação militar ou a entrada em um conflito. As Forças Armadas são a estrutura estatal encarregada da defesa e das operações militares; o apelo do general foi para que a população e os líderes debatam a preparação nacional e os recursos necessários.