Gaúchos do Senac-RS conquistam três medalhas na WorldSkills 2026
Quatro estudantes representaram o Brasil em Xangai; Gustavo Argould, Cássia Eloá e Natália Corso receberam o reconhecimento por pontuação próxima à dos melhores.
Resumo em 30 segundos
Quatro estudantes do Senac-RS competiram na WorldSkills 2026, em Xangai, nas áreas de gastronomia, enfermagem, hotelaria e estética. Gustavo Argould, Cássia Eloá e Natália Corso receberam medalhas de excelência. A preparação incluiu etapas seletivas, treinamento técnico e acompanhamento psicológico antes das provas internacionais.
Quatro estudantes do Senac-RS representaram o Brasil na WorldSkills 2026, em Xangai, na China, e três deles voltaram com medalhas de excelência. Gustavo Argould, da gastronomia, Cássia Eloá, da enfermagem, e Natália Corso, da hotelaria, receberam o reconhecimento após quatro dias de provas; Maria Eduarda da Silveira competiu em estética. A premiação é concedida a participantes que atingem pontuação próxima à dos melhores colocados.
A WorldSkills é uma competição internacional de educação profissional em que jovens demonstram habilidades técnicas em diferentes ocupações. As provas simulam tarefas e situações do trabalho, com critérios de avaliação próprios de cada área. Os estudantes gaúchos chegaram ao evento depois de uma preparação que incluiu etapas seletivas e treinamento técnico e psicológico.
O percurso começou nas escolas do Senac e passou por fases regional e nacional. Na etapa final de preparação, os quatro deixaram suas cidades para treinar em Porto Alegre, sob orientação de especialistas das respectivas áreas. A equipe também contou com acompanhamento psicológico e comportamental.
“Tem uma equipe específica para acompanhá-los, tanto nas questões técnicas quanto nas questões comportamentais. A gente tem uma psicóloga, por exemplo, que acompanha esse tipo de preparação”, afirmou Sidinei Rossi, gerente de Educação Profissional do Senac-RS. Segundo ele, a experiência de ser avaliado sob pressão também contribui para a formação dos jovens para o mercado de trabalho.
Na competição de gastronomia, Gustavo, de 21 anos e morador de Porto Alegre, teve de reconhecer ingredientes, fazer cortes e aplicar técnicas culinárias. As tarefas incluíram pratos com referências brasileiras e asiáticas e, na fase final, a elaboração de um menu completo. Em uma prova, os pratos precisavam ser servidos em conjunto com os preparados pelos participantes da ocupação de Serviço de Restaurante.
O competidor contou que o tempo apertado foi um dos principais desafios. “No primeiro dia eu já comecei a entender que ia ser difícil. Eu estava muito nervoso, muito inseguro para saber se eu ia conseguir fazer as entregas. Na nossa ocupação, um minuto é muito tempo. Acho que isso foi mais desafiador do que eu imaginei.”
Cássia, de 22 anos, moradora de São Borja, participou de simulações de enfermagem ambientadas em hospitais, ambulatórios e instituições de longa permanência. Em um dos módulos, avaliou um paciente com suspeita de infarto e precisou decidir como encaminhá-lo. As situações também exigiram atenção a diferenças culturais, como hábitos associados à medicina tradicional chinesa.
“Tem culturas que vão utilizar um tipo de medicamento que dentro da nossa cultura não é comum”, disse Cássia. Ela relatou ainda que precisou se familiarizar com materiais e equipamentos que não conhecia durante a ambientação da competição. Para a estudante, a experiência incluiu aprender a trabalhar com recursos diferentes dos usados no Brasil.
Na hotelaria, Natália, de 22 anos e moradora de Taquara, atendeu hóspedes fictícios e enfrentou imprevistos criados para reproduzir situações de recepção. Ela afirmou que controlar a ansiedade foi mais difícil do que executar as tarefas: a presença de competidores reconhecidos em suas áreas aumentava a insegurança. Maria Eduarda, de 21 anos, de Canoas, participou de atendimentos simulados em estética, nos quais precisava demonstrar domínio técnico e tomar decisões com rapidez.
As provas não eram cópias exatas da rotina profissional brasileira. A enfermagem, por exemplo, exigiu que Cássia considerasse diferenças de costumes e de práticas de saúde. Na gastronomia, Gustavo teve de adaptar técnicas e receitas às referências asiáticas, enquanto Natália observou padrões internacionais de atendimento hoteleiro.
Antes do evento, os estudantes também viajaram à China para um período de treinamento e tiveram contato com hábitos e métodos de trabalho diferentes. A alimentação foi uma das mudanças mais marcantes para Cássia e Maria Eduarda, que disseram ter estranhado pratos e sabores. Para os competidores, a viagem permitiu conhecer uma realidade profissional e cultural distinta da vivida em suas cidades.
Rossi afirmou que a convivência internacional é parte importante do aprendizado. A experiência, segundo ele, pode ser incorporada ao trabalho educacional nas escolas do Senac. O contato com técnicas, equipamentos e padrões de atendimento de outros países também ampliou a vivência dos estudantes para além das provas.
Apesar das medalhas, os jovens destacaram o valor da participação e do preparo que a competição exigiu. Gustavo descreveu a WorldSkills como “a melhor experiência” de sua vida. Cássia encerrou aos 22 anos um ciclo de competições iniciado ainda na adolescência, enquanto Natália disse esperar que outros jovens conheçam a oportunidade e possam participar.