Unicamp aplica primeira fase do vestibular 2027 com 72 questões
A prova teve 58.431 inscritos e abordou temas como democracia, inteligência artificial e desinformação; o gabarito oficial sai na quarta-feira (21).
Resumo em 30 segundos
A primeira fase do vestibular 2027 da Unicamp foi aplicada em 33 cidades paulistas e seis capitais, com 72 questões de múltipla escolha. O exame registrou 6,38% de ausências, a menor taxa em 16 anos. A prova abordou temas atuais e exigiu interpretação de textos e aplicação de conteúdos.
A primeira fase do vestibular 2027 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi aplicada neste domingo (18) em 33 cidades paulistas e em seis capitais. Com 72 questões de múltipla escolha, o exame abordou temas como democracia, desinformação, ditadura militar, inteligência artificial e a gíria “gag”, popularizada nas redes sociais.
A prova teve 58.431 candidatos inscritos e registrou 6,38% de ausências, a menor taxa em 16 anos. Compareceram 54.702 participantes. O exame começou às 9h, horário adotado desde 2024, quatro horas antes do início usado anteriormente. Segundo José Alves de Freitas Neto, diretor da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), responsável pelo processo seletivo, a mudança contribuiu para reduzir as faltas.
Professores que avaliaram as questões consideraram que a prova manteve o nível de dificuldade de edições recentes e exigiu sobretudo interpretação de textos e aplicação de conteúdos. “Foi uma prova mais aplicada, contextualizada e moderna do que efetivamente difícil”, afirmou Arilo Pinho, professor de física. O diretor da Comvest disse que o exame preservou o perfil de relacionar as perguntas a debates da sociedade e afirmou: “É o perfil da prova da Unicamp, esse olhar crítico para o mundo”.
Na questão de inglês sobre “gag”, os candidatos precisavam compreender a expressão no contexto em que é usada, e não apenas traduzi-la. O termo deriva de “I’m gagged” e expressa espanto ou surpresa; associado inicialmente à linguagem da comunidade LGBTQIA+, também passou a circular entre outros grupos. Segundo o professor de inglês Ademar Garcia, a questão cobrava a interpretação do contexto social e das identidades culturais relacionadas à expressão.
Democracia e negacionismo científico apareceram em questões de filosofia e sociologia. Uma delas tratou de como discursos de desinformação se apropriam de dúvidas e debates próprios da ciência para defender afirmações sem respaldo científico. Para o professor Delaias Moraes, a discussão sobre democracia também permite abordar extremismo e regulação das redes sociais.
Em química, uma questão sobre intoxicação por metanol exigia interpretar um protocolo de tratamento e relacionar informações como a concentração da substância e o pH do sangue. Na avaliação do professor Antonino Fontenelle, a contextualização tornava o caminho até a resposta mais complexo. Em história, houve questões sobre símbolos e práticas culturais e religiosas de africanos escravizados no período colonial e sobre a política indigenista durante a ditadura militar.
A prova foi organizada em 12 questões de matemática, 12 de língua portuguesa e literatura, sete de inglês, 21 de ciências da natureza e 20 de ciências humanas. O vestibular também marcou os 60 anos da universidade e os 40 anos de seu processo seletivo. Paulínia e Vinhedo passaram a receber candidatos nesta edição, com o objetivo de facilitar o deslocamento. O exame ocorreu ainda em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador.
A Comvest informou que o gabarito oficial da primeira fase será divulgado nesta quarta-feira (21). A lista de convocados para a segunda etapa está prevista para 23 de novembro, e as provas serão realizadas nos dias 29 e 30 do mesmo mês. A primeira chamada de aprovados está marcada para 25 de janeiro de 2027.