Furtos de carros elétricos e híbridos sobem 200% em São Paulo
Foram 186 ocorrências entre janeiro e julho de 2026, ante 62 no mesmo período de 2025; baterias e peças de reposição estão entre os principais alvos.
Resumo em 30 segundos
Furtos e roubos de carros elétricos e híbridos cresceram 200% em São Paulo nos primeiros sete meses de 2026. A capital concentrou 137 dos 186 casos, e 83% dos registros foram furtos. Baterias e componentes de reposição são alvos de criminosos, enquanto a polícia investiga grupos e locais usados para desmontar os veículos.
Os furtos e roubos de carros elétricos e híbridos aumentaram 200% no estado de São Paulo entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Ituran com dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Foram 186 ocorrências neste ano, ante 62 em 2025. Baterias e peças de reposição, que podem ter alto valor e pouca oferta, estão entre os principais alvos dos criminosos.
Apesar do aumento, veículos elétricos e híbridos representam uma parcela pequena dos crimes contra carros no estado: no mesmo intervalo de 2026, houve mais de 56 mil ocorrências envolvendo veículos a combustão, quase 99% do total. A capital paulista concentrou 137 dos casos de elétricos e híbridos registrados no estado.
O levantamento aponta que o BYD Dolphin é o modelo mais frequente nos boletins de ocorrência, seguido pelo Toyota Corolla Cross híbrido. Carros fabricados entre dois e cinco anos atrás correspondem a 47% dos casos. A procura por peças tende a crescer conforme os veículos envelhecem, enquanto componentes específicos podem ser difíceis de encontrar no mercado nacional.
A bateria é o item de maior interesse, segundo seguradoras e delegados citados no levantamento. Ela pode representar até metade do valor do carro. Também são visados para-choques, retrovisores e portas, peças cujo custo de reposição é alto e cuja disponibilidade no país é limitada.
O crescimento dos furtos mudou o perfil das ocorrências. Entre janeiro e julho de 2026, 83% dos registros envolvendo elétricos e híbridos foram furtos. No mesmo período de 2025, 59% eram roubos, crimes em que há abordagem direta e uso de violência. Fernando Correia, gerente de operações da Ituran Brasil, afirmou que os criminosos passaram a conhecer formas de contornar os sistemas de segurança dos modelos.
Um engenheiro de 67 anos teve um BYD Dolphin Mini furtado na Vila Prudente, na Zona Leste da capital. Ele havia estacionado o carro na Avenida Secondino, em 14 de julho, por volta das 7h40, e percebeu o desaparecimento quando voltou ao local no fim da tarde. Com o rastreador do veículo, conseguiu localizá-lo em Sapopemba, a cerca de 20 minutos dali, e acionou a polícia.
No endereço indicado, policiais encontraram uma loja de peças aparentemente ilegal e um alçapão que levava a um porão. Havia partes do carro do engenheiro, incluindo o para-brisa, e o motor de outro veículo da BYD com registro de furto. Cinco pessoas foram presas em flagrante. O proprietário disse que o caso ainda lhe causa medo e apreensão e afirmou que não considera os sistemas antifurto seguros.
Em agosto, outra investigação levou policiais civis a uma casa na Vila Ema, na Zona Leste, onde foram encontradas cerca de dez peças automotivas. Uma porta identificada como pertencente a um BYD Song Plus havia sido furtada dois meses antes. O morador, apontado como integrante de um grupo especializado em furtos de elétricos, foi preso. A polícia ainda investiga como funcionava a receptação das baterias e quem poderia comprá-las.
Em outro episódio, ocorrido em novembro do ano passado, três homens invadiram a casa de um casal no Ipiranga, na Zona Sul, e tentaram levar dois BYDs estacionados na garagem. Como não conseguiram ligar os carros, esperaram os donos. Um dos assaltantes atirou contra a mulher, que foi atingida de raspão na pálpebra e na testa. Os criminosos acabaram contidos por vizinhos e pela Polícia Militar durante a fuga.
Antonio Azevedo, vice-presidente de auto, frota e consórcio da Alper Seguros, avaliou que o interesse por componentes compatíveis pode levar a crimes planejados para modelos específicos. A bateria de um carro novo pode ter garantia de sete anos, mas, segundo ele, o risco pode crescer quando parte da frota deixar de estar coberta por essa proteção.
A SSP informou que os crimes contra veículos em geral caíram no estado entre janeiro e agosto de 2026, em comparação com os mesmos meses do ano anterior: os roubos recuaram 34% e os furtos, 8,8%. A pasta também informou que, entre janeiro e setembro, a divisão especializada da Polícia Civil realizou 70 operações, com 199 prisões em flagrante, 72 mandados de prisão cumpridos e 395 pessoas indiciadas. No período, foram apreendidas 73,1 mil peças ilícitas e 259 veículos usados em crimes; as equipes recuperaram 209 carros e 53 motocicletas.