Flávio Bolsonaro recebe autorização temporária para entrar nos EUA
A autorização, chamada parole, vale até outubro de 2027; até junho, 32.373 pedidos desse tipo aguardavam decisão nos Estados Unidos.
Resumo em 30 segundos
Flávio Bolsonaro entrou nos Estados Unidos em 28 de outubro com uma autorização temporária chamada parole, válida até 27 de outubro de 2027. Até junho do ano fiscal de 2026, 32.373 solicitações aguardavam decisão e quase 85% dos pedidos analisados haviam sido negados. A licença não concede residência permanente nem autorização automática para trabalhar.
Flávio Bolsonaro entrou nos Estados Unidos em 28 de outubro com uma autorização temporária de permanência chamada *parole*, concedida pelo governo de Donald Trump. Até junho, 32.373 solicitações desse tipo aguardavam decisão no ano fiscal americano de 2026, e quase 85% dos pedidos analisados no período foram negados, segundo dados do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS, na sigla em inglês).
O ano fiscal americano começou em outubro de 2025. A fila até junho era menor que a registrada no mesmo intervalo de 2025, quando havia 36.101 pedidos pendentes e 81,6% dos analisados foram rejeitados. Em 2024, ainda durante o governo de Joe Biden, eram 2.946 solicitações à espera, e 56,4% dos casos avaliados haviam sido aprovados.
O *parole* permite que uma pessoa entre e permaneça nos Estados Unidos por tempo limitado sem ser formalmente admitida para fins de imigração. A autorização pode ser concedida por razões humanitárias urgentes ou por benefício público significativo. A licença de Flávio é válida até 27 de outubro de 2027.
A legislação não define de forma fechada o que configura uma razão humanitária urgente. O USCIS informa que agentes podem considerar o efeito das circunstâncias sobre o bem-estar da pessoa e o sofrimento que poderia ocorrer sem a autorização. Nos casos de benefício público, podem ser avaliadas razões de segurança pública, aplicação da lei e política externa ou interna.
Em 31 de outubro, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o governo dos Estados Unidos tivesse ajudado na saída do senador do Brasil. Rubio afirmou, porém, que Trump havia deixado claro que Flávio receberia uma autorização provisória caso entrasse no país.
Registros de entrada consultados junto ao Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras mostram que Flávio chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro. A classe de admissão registrada foi “DT”, associada ao *parole*, e a autorização aparece vinculada ao passaporte brasileiro. Os registros também apontam o uso de passaportes brasileiro e diplomático cancelados; o passaporte italiano do senador também havia sido cancelado.
O cancelamento de um passaporte não implica necessariamente que um visto vinculado ao documento também tenha deixado de valer. Passaporte e visto têm funções diferentes: o primeiro identifica a nacionalidade e a identidade do viajante; o segundo autoriza a entrada, conforme as condições estabelecidas. O governo americano pode conceder vistos de forma discricionária, segundo advogados especializados em imigração.
A autorização temporária não equivale a um visto de residência permanente nem concede automaticamente permissão para trabalhar. Flávio pode buscar outra forma de regularizar sua situação antes do fim da licença, como pedir asilo ou solicitar um *green card*. Pessoas em *parole* também podem se tornar elegíveis para requerer um Documento de Autorização de Emprego, que permite trabalhar legalmente nos Estados Unidos.